Vendedores ambulantes do Guará aguardam definição sobre saída das barracas na BR-277; Prefeitura afirma buscar alternativas

O DNIT informou que, no próximo mês, uma nova concessionária assumirá a rodovia e definirá o prazo para a remoção dos vendedores, necessária para as futuras obras de duplicação.

Foto: William Batista/ CulturaNews

14/03/2025 às 14:00 - Atualizado em 14/03/2025 às 16:16

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Quem passa pela BR-277, no distrito Guará, em Guarapuava, encontra várias barracas de vendedores ambulantes em um trecho mais estreito da rodovia. Instaladas a poucos metros da passagem dos veículos, elas oferecem frutas e outros produtos típicos da região, com destaque para o pinhão, carro-chefe das vendas durante o inverno. Durante a época, o pinhão é comercializado tanto cozido quanto in natura.

Em poucos minutos no local, é possível ver vários veículos parando, em sequência, no pequeno acostamento para fazer compras. Essa cena se repete há muitos anos. Como há uma lombada na pista, a redução da velocidade facilita a movimentação dos compradores, que estacionam em um espaço bastante reduzido.

No entanto, os vendedores, que dependem da atividade para o sustento, estão preocupados com o futuro. Uma decisão judicial determina a retirada das barracas das margens da rodovia para viabilizar, futuramente, obras de duplicação do trecho.

Silvana da Silva Santos, dona de uma das 13 barracas instaladas à beira da rodovia, trabalha no local há 15 anos. Segundo ela, o comércio não apenas garante sua renda, mas também gera empregos para moradores da região, onde há escassez de oportunidades. “Aqui é uma ajuda que vem para a gente”, diz, explicando que emprega quatro pessoas e vê o ponto como um atrativo para turistas e consumidores.

Do outro lado da rodovia, Daniela Aparecida Tereza mantém sua barraca há seis anos. “Com esse trabalho, consigo manter as contas em dia e sustentar minha casa”, afirma. Para ela, a melhor solução seria a relocação para um espaço mais afastado da rodovia, mas que permitisse manter o mesmo fluxo de clientes.

Outro vendedor, Daniel Rafael Tereza, também trabalha há seis anos no local e expressa preocupação com o futuro dos ambulantes. “É daqui que tiramos nosso sustento. Se nos removerem, o que vamos fazer?”, questiona, ressaltando a falta de alternativas de emprego na região.

No dia 12 de fevereiro, a Prefeitura de Guarapuava se reuniu com representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para discutir a situação dos ambulantes, após a determinação judicial que exige a remoção das barracas.

O secretário de Trânsito e Transportes do município, Coronel Péricles de Matos, afirmou que a prefeitura está buscando soluções para atender os feirantes sem comprometer a atividade. Segundo ele, a prioridade é encontrar um local adequado — seja por meio de locação ou desapropriação — que ofereça infraestrutura para a continuidade das vendas, como acesso à eletricidade e condições mínimas de higiene. “Estamos comprometidos em dar um destino humano para esses profissionais”, declarou.

Ele explicou que a busca por uma nova área exige um processo criterioso, pois é necessário atender a requisitos legais e garantir um espaço com condições de operação semelhantes às atuais.

O secretário ressaltou ainda que a prefeitura já levantou informações sobre os vendedores e que a relocação será feita apenas para aqueles que comprovarem a titularidade das barracas. Embora a solução dependa de diversos fatores, como a definição de um local adequado, ele garantiu que a administração municipal está empenhada em minimizar os impactos para as famílias que dependem dessa atividade.

Em nota, o DNIT, atual responsável pela administração do trecho e solicitante da intervenção judicial, informou que uma nova concessionária assumirá a rodovia no próximo mês. Caberá a ela definir o prazo para a remoção dos vendedores, medida que, segundo o órgão, é necessária para as futuras obras de duplicação.

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