Médicos denunciam supostas fiscalizações em busca de promoção pessoal

Pessoas que entram filmando áreas restritas e consultas médicas tem se tornado prática comum.
18/03/2025 às 07:00

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Com o argumento de uma suposta fiscalização, tem se tornado muito comum a presença de pessoas gerando tumulto em unidades de saúde. Elas chegam filmando, entram em espaços restritos e durante os atendimentos e acusando as equipes de suposta negligência. Contudo, os cortes para redes sociais nem sempre condizem com a realidade. 

“A gente percebe que tem sido realizadas pseudo fiscalizações, realizadas sem critério, chegam no susto e o médico está atendendo um paciente mais grave e não se encontra alí naquele momento e acaba gerando um estresse, um ambiente ruim”, explicou Sabine Buckmann Holdorf, diretora Regional do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). 

Essa prática tem sido comum por parte de políticos e familiares de pacientes. Sem nenhum conhecimento sobre o funcionamento da atividade de uma unidade de saúde, eles flagram momentos de descanso, por exemplo, e julgam como mau atendimento. 

“O médico está tomando um cafezinho, isso pode acontecer, porque normalmente ele dá um plantão de 12 horas e precisa ir no banheiro, almoçar e até descansar, se não ele não consegue dar condução daquele atendimento”, esclarece Sabine. 

Esse tipo de situação de abordagens agressivas está concentrada em unidades de pronto atendimento que recebem casos de urgência e emergência. A violência contra os médicos e equipes de saúde é consequência, em muitos casos, do mau funcionamento ou utilização do espaço. 

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Guarapuava mostram que mais de 80% dos atendimentos feitos nas três unidades de Urgência e Emergência de Guarapuava são de casos eletivos, de pacientes crônicos que deveriam ter atendimento em unidades básicas. 

“Essa demanda deveria seguir um fluxo que acaba não acontecendo da maneira correta, o povo indo buscar o serviço no local que não é o correto ele acaba ocasionando uma superlotação”, explica a médica. 

Atuação do CRM-PR

Em fevereiro de 2025 o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu um comunicado com orientações aos médicos sobre os casos de violência no exercício da profissão. 

As orientações, são: 

  1.   O médico que presenciar tal fato deve acionar seu Responsável Técnico (médico), o qual não deve autorizar a entrada do agente político e, se necessário, realizar Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia.
  2.   O Responsável Técnico (médico) deve também fazer a denúncia do agente político envolvido ao CRM-PR pelo telefone (41) 3240-7800 ou e-mail medicodenuncia@crmpr.org.br.

A entidade mantém uma campanha chamada Chega de Agressão contra os Médicos para coibir a prática no estado.

Guarapuava

A reportagem questionou sobre ações tomadas em relação a políticos de Guarapuava. A entidade respondeu que “tomou conhecimento de ação realizada pelo vereador Rodrigo Correa, tendo encaminhado ofício ao parlamentar e à presidência da Câmara Municipal alertando da inadequação da conduta e requerendo esclarecimentos a respeito do ocorrido.”

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