Uma em cada 23 adolescentes torna-se mãe por ano no país, diz pesquisa

Estudo revela desigualdade regional e aponta que gravidez na adolescência é resultado de vulnerabilidade social e falta de acesso a direitos básicos.

Foto: Divulgação

21/07/2025 às 14:58

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Uma pesquisa do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) revelou que uma em cada 23 adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos torna-se mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens dessa faixa etária tiveram filhos. Entre meninas de 10 a 14 anos, foram mais de 49 mil casos. De acordo com a legislação, nessa faixa etária, qualquer gestação é considerada resultado de estupro de vulnerável.

O estudo, que avaliou dados de todos os mais de 5,5 mil municípios do país, mostra que a taxa nacional de fecundidade na adolescência é de 43,6 nascimentos por mil adolescentes, quase o dobro da média de países de renda média alta. Em 22% dos municípios brasileiros, os índices se assemelham aos de países de baixa renda. As regiões Norte e Nordeste concentram as taxas mais altas, com destaque para o Norte, onde o número chega a 77,1 por mil.

Para o pesquisador Aluísio Barros, líder do estudo, a gravidez na adolescência está diretamente ligada à exclusão social. “Municípios com maior escassez de recursos, baixa renda, analfabetismo e infraestrutura precária concentram as mais altas taxas de fecundidade adolescente. A gravidez não é uma escolha, mas o desfecho de um contexto de privação”, afirma.

A superintendente-geral da Umane, Thais Junqueira, ressalta que o SUS oferece acesso gratuito a métodos contraceptivos e educação sexual, inclusive nas escolas. Ela destaca a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade para enfrentar o problema. “As pesquisas são essenciais para compreendermos os múltiplos desafios que ainda enfrentamos no Brasil. O fato de a gravidez na adolescência ainda hoje representar um desafio tão grande para o Brasil demanda respostas articuladas e maior engajamento de diferentes setores da sociedade”, afirmou.

A pesquisa marca o lançamento de uma nova página no Observatório da Saúde Pública, criada para dar visibilidade às desigualdades em saúde no Brasil.

Reportagem da Agência Brasil

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