Madeireiras que vendem exclusivamente para EUA podem ficar sem mercado se vigorar a tarifa de 50%

Alguns produtos são exclusivos para a construção civil norte-americana e não seriam absorvidos por outros países.

Foto: Freepik.

28/07/2025 às 16:47

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“Muitas empresas foram concebidas para atender o mercado norte-americano, muitas características técnicas não se adaptam a outros mercados”, alerta Paulo Roberto Pupo, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI), ao analisar o desafio do setor diante da tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros. Se não houver recuo, a taxa começa a valer em 1º de agosto.

Além disso, explica o executivo, o volume produzido no Brasil é muito expressivo e não é absorvido por outros mercados. Ele se refere a produtos muito específicos para construção de casas nos EUA, como molduras de madeira.

Na média, 40% da exportação nacional de produtos de madeira processada vão para os EUA. Contudo, alguns produtos têm participação maior como compensados (50%) e molduras, praticamente 100%.

Outro problema é que os competidores do Brasil já negociaram taxas menores. Sãos os casos de Chile, Vietnã, Malásia. “Não podemos ficar acima de outros mercados”, afirma Paulo. “Não podemos ser tirados do jogo por uma má negociação”, completa.

Relação histórica

Atualmente, as madeireiras brasileiras, concentradas no Sul, atendem todas as demandas de qualidade e certificação e são altamente competitivas nos segmentos de compensados, madeira serrada, pisos, molduras, portas, paletes. Abertura de comércio que levou décadas para se estabelecer.

“Nós exercemos o princípio da complementariedade da demanda norte-americana, em nenhum momento o setor teve guerra comercial, a madeira processada brasileira tem um papel importante prioritariamente para construção civil norte-americana, para onde são encaminhados a maioria dos produtos”, explica Paulo.

Com o anúncio de taxa sobre os produtos com origem brasileira, a relação foi estremecida. Paulo relata incertezas de ambos os lados, de quem compra e de quem produz. Muito importadores seguraram os embarques, com medo de receber os produtos pós dia 1º de agosto e ter que pagar uma taxa equivalente a metade do preço. “Houve uma tendência de contratos postergados, em alguns casos mais extremos, contratos cancelados”, conta o superintendente.

No Brasil, a primeira reação da maioria das empresas dependentes do mercado norte-americano foi antecipar férias coletivas e aguardar.

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