Setembro Amarelo: “falar sobre suicídio não aumenta os casos. É preciso acolher”, afirma psiquiatra

“Falar sobre suicídio aumenta suicídio? Não! Porque a pessoa que está pensando em atentar contra a própria vida precisa de um acolhimento, e só acolhemos quando nós conversamos”, afirma o médico.

Foto: William Batista/Cultura News

10/09/2024 às 15:00 - Atualizado em 10/09/2024 às 18:03

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Neste mês é celebrada a campanha do Setembro Amarelo, que reforça os cuidados da saúde mental. Essa terça-feira, dia 10 de setembro, é o dia oficial de combate ao suicídio.

Em todo o mundo, os números de suicídios são preocupantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em um estudo divulgado em 2019, 700 mil suicídios haviam ocorrido naquele ano em todo o planeta. No Brasil, a média é de 14 mil casos por ano.

“O Setembro Amarelo não é um mês em que se fala sobre morte, mas é um mês em que se fala sobre prevenção, sobre salvarmos vidas dessa tragédia que vem em uma crescente assustadora. Países da Europa estão conseguindo reduzir os suicídios e os países da América vêm em uma crescente muito grande”, destaca o vice-presidente da Associação Paranaense de Psiquiatra, Cléber Ferreira.

O médico reforça o papel da imprensa na campanha. “São através de iniciativas juntamente com a imprensa que nós, membros da Associação Paranaense e Brasileira de Psiquiatria, levamos informação para a população. Sabemos que a melhor ferramenta de prevenção quando se fala em suicídio é informação. Quanto mais precocemente uma pessoa identificar uma mudança de comportamento em um familiar, em um colega de trabalho, em alguém por quem tenha apreço, encaminhar para um tratamento, ai sim conseguiremos reduzir os números de suicídio”, afirma.

O psiquiatra guarapuavano pontua ainda o problema que a sociedade vem enfrentando com a ansiedade. “O Brasil tem hoje a triste marca de ser o país mais ansioso do mundo. Sabemos que de cada cinco pessoas com ansiedade, quando não tratada adequada, para caminhar para um quadro de depressão. O Brasil vem em um consumo significativo do uso do álcool e a adolescência que é um momento de turbulência hormonal, os adolescentes tendo acesso precocemente ao álcool e com a depressão, se tornam devastadores para o suicídio”, diz.

Ainda de acordo com o vice-presidente da Associação Paranaense e Psiquiatria, é preciso ficar atento aos sinais. “Mudanças de comportamento, aquela pessoa que mudou seu hábitos de higiene, que era comunicativa e agora está mais introspectiva, que deixa de fazer atividades que antes eram prazerosas para se fechar em seu mundo. Ou seja, a intuição de quem está próximo faz toda a diferença. Quando perceber que alguém ao seu redor está com mudança de comportamento, peque pelo excesso, não peque pela omissão”.

Falar sobre suicídio pode ser uma tabu para muitas pessoas, mas de acordo com o médico é necessário abordar o assunto na sociedade. “Falar sobre suicídio aumenta suicídio? Não! Porque a pessoa que está pensando em atentar contra a própria vida precisa de um acolhimento, e só acolhemos quando nós conversamos. Tentativa de suicídio é uma emergência médica. Ponto, não é nem vírgula. Ligue para o Samu. Essa pessoa precisa de uma avaliação médica para identificar se tem um quadro de depressão, se tem uma abstinência do álcool, se tem uma dependência e outras substâncias químicas, e após esse tratamento, ai sim, inicia-se uma caminhada multidisciplinar com psicoterapia, com psicoeducação, com abordagem psicofarmatológica. Mas, na dúvida, ligue para o Samu. Cada cidade, cada região, cada estado, tem a sua rede de saúde mental, é importante se informar. Muitas vezes a pessoa pode ir a uma UPA, em um Pronto Atendimento, em um consultório particular. O mais importante é na dúvida buscar ajuda. Se estiver com dificuldade de conversar com um psiquiatra, busque um psicólogo, se estiver com dificuldade de falar com o psicólogo busque um médico do posto. Ou seja, busque uma orientação para que se pense o que está acontecendo com essa pessoa. Sempre é possível fazer alguma coisa”, enfatiza.

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