Adultos com diabetes no mundo quadruplicam em três décadas, e a maioria não recebe tratamento

Brasil é o sexto país do mundo com o maior número de diabéticos: 22 milhões, segundo Federação Internacional de Diabetes.

Foto: Getty Images

14/11/2024 às 13:46

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Existem mais de 800 milhões de pessoas com diabetes tipo 1 ou 2 no mundo, número quatro vezes maior do que o registrado em 1990, segundo análise global publicada pela revista científica The Lancet. Desse total, 445 milhões de adultos com 30 anos ou mais e
com diabetes (59%) não receberam tratamento em 2022.

O estudo estimou tendências de 1990 a 2022 sobre taxas de diabetes e tratamento em 200 países e territórios. A pesquisa foi realizada pela Colaboração de Fatores de Risco de Doenças Não Transmissíveis (NCD-RisC), em parceria com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Na pesquisa, foram utilizados dados de outros 1.108 estudos, com 141 milhões de participantes com 18 anos ou mais que apresentaram glicose em jejum de 70 mmol/L ou superior e hemoglobina glicada 6,5% ou superior. Também foram consideradas informações sobre o tratamento da doença.

A seleção dos diabéticos com base nesses dois critérios ainda pode trazer resultados aquém da realidade, aponta o médico endocrinologista Fernando Valente, diretor da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes). Isso ocorre porque existe um terceiro critério, chamado curva glicêmica—exame que analisa a concentração de glicose no organismo duas horas após uma sobrecarga de açúcar.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes, e o que foi incorporado nas diretrizes da SBD, esse exame identifica de forma mais precoce quem tem pré-diabetes. O estudo revelou que, dos 828 milhões de adultos com diabetes em 2022, mais de um quarto (212 milhões) viviam na Índia, 148 milhões na China, seguidos pelos EUA (42 milhões), Paquistão (36 milhões), Indonésia (25 milhões) e Brasil (22 milhões, dos quais 85%têm diabetes tipo 2).

Houve ainda um aumento mais expressivo na taxa de diabetes em países de baixa e média renda. Os maiores crescimentos ocorreram em países do Sudeste Asiático, como Malásia, Sul da Ásia (como o Paquistão), Oriente Médio e Norte da África (como o Egito), além da América Latina e Caribe, em países como Jamaica, Trinidad e Tobago, e Costa Rica.

São também nos países de baixa renda que o tratamento é mais precário. A pesquisa aponta que a cobertura de tratamento permaneceu baixa e mudou pouco nas últimas três décadas, com mais de 90% das pessoas com diabetes não recebendo tratamento
em alguns países durante o período analisado.

Em relação ao gênero, a prevalência de diabetes foi maior entre os homens do que entre as mulheres na maioria dos países ocidentais de alta renda. O oposto ocorreu na maioria dos países da África Subsaariana e da América Latina e Caribe. O estudo também revela que a taxa de diabetes já era alta ou aumentou ainda mais em algumas regiões onde a obesidade era ou se tornou prevalente entre 1990 e 2022.

Fonte: Folha de São Paulo

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