A Federação Internacional de Diabetes (IDF) divulgou nesta segunda-feira (7) a edição de 2025 do Atlas Global da Doença. O levantamento revela que 589 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivem com diabetes no mundo. O Brasil aparece em sexto lugar no ranking global, com 16,6 milhões de casos — atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Paquistão e Indonésia.
Em relação à edição anterior do atlas, publicada em 2021, o número de pessoas com diabetes no Brasil aumentou 5,7%, quando o país somava pouco mais de 15 milhões de casos. A alta reforça o alerta sobre o avanço da doença e a necessidade de estratégias mais eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Mortes e subnotificações preocupam especialistas
O documento também aponta que o diabetes causou 3,4 milhões de mortes em 2024, o que representa uma morte a cada seis segundos. No Brasil, foram 111 mil óbitos relacionados à doença. No entanto, esse número pode ser ainda maior, segundo especialistas. “Muitas vezes, o diabetes não é registrado como causa principal da morte, mas como fator contribuinte em casos como infarto e AVC”, explica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto.
Couri ainda destaca que o diabetes matou cerca de 20 vezes mais do que a dengue em 2024 no país.
Alto número de casos não diagnosticados e pré-diabetes
Outro dado alarmante é que 32% dos brasileiros adultos com diabetes ainda não sabem que têm a doença. Isso significa milhões de pessoas em risco de desenvolver complicações graves. Além disso, estima-se que 11% da população adulta esteja em estado de pré-diabetes, o que representa cerca de 17,7 milhões de brasileiros em risco iminente de desenvolver o quadro.
Gastos bilionários e impacto na saúde pública
O Brasil também aparece em terceiro lugar no ranking mundial de gastos com o diabetes, destinando cerca de 45 bilhões de dólares para tratar a doença e suas complicações. Esse valor é superado apenas por China e Estados Unidos. Se não for controlada, a enfermidade pode provocar uma série de problemas graves, como doenças cardiovasculares, amputações, cegueira e falência renal.
Diabetes na gravidez e na infância
O relatório da IDF mostra ainda que 11% das gestações no país evoluíram com diabetes, o que aumenta o risco de malformações, parto prematuro e complicações para mãe e bebê. Além disso, o Brasil ocupa a quarta posição mundial em número de pessoas com diabetes tipo 1, com quase 500 mil casos — geralmente diagnosticados na infância ou adolescência.
Chamado à mobilização
Diante dos números, o especialista Carlos Eduardo Couri alerta: “Os novos dados do atlas só reforçam o tamanho do diabetes enquanto problema de saúde pública, que requer, com urgência, uma mobilização de autoridades públicas, gestores privados, profissionais de saúde, pacientes e de toda a sociedade”.
Fonte: Revista Veja
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