Um estudo elaborado pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) mostra que os gastos com acidentes rodoviários no Brasil superam os investimentos públicos em ferrovias. Apenas no último ano, os acidentes em rodovias custaram cerca de R$ 16 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Desse total, R$ 6 bilhões se referem a mortes e ferimentos em rodovias federais, com 6.100 mortes registradas.
Enquanto isso, os investimentos públicos em ferrovias foram de R$ 280 milhões, de acordo com dados do Portal da Transparência. “O país gasta mais com acidentes rodoviários do que investe em ferrovias. Com isso, seguimos reforçando a escolha pelo modal mais caro e mais perigoso, quando poderíamos priorizar a ferrovia, que é mais eficiente e segura”, afirma Davi Barreto, diretor-presidente da ANTF.
Menos acidentes, mais eficiência
A associação defende que a priorização das ferrovias pode reduzir o número de acidentes graves, melhorar a logística de transporte de cargas, favorecer a qualidade de vida da população e reduzir emissões de gases poluentes. Barreto lembra que o transporte de cargas em longas distâncias por caminhões, como de São Paulo ao Mato Grosso, é mais caro e mais perigoso. “Não faz sentido submeter um profissional a uma viagem de quatro dias por rodovia, quando há alternativa ferroviária segura e consolidada”, pontua.
Um estudo da ANTF aponta que 120 vagões ferroviários retiram cerca de 360 caminhões das estradas, reduzindo custos, riscos e impactos ambientais.
Falta de prioridade
Entre 1997 e 2024, o setor ferroviário arrecadou R$ 28,9 bilhões em outorgas e arrendamentos, além de R$ 114,2 bilhões em tributos pagos a estados e municípios. Mesmo assim, esses valores não foram totalmente reinvestidos no modal ferroviário. “Se esses recursos tivessem voltado para as ferrovias, mesmo sem novos aportes, já seria um bom começo”, avalia Barreto.
O estudo também destaca que o transporte ferroviário pode ser estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas, com menor emissão de poluentes. Hoje, porém, o modal ainda representa menos de 20% da matriz de transportes de cargas no Brasil, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, esse número ultrapassa os 40%.
Barreto conclui que o Brasil precisa rever sua estratégia de mobilidade e logística. “Enquanto as ferrovias não forem tratadas como prioridade de estado, continuaremos perdendo vidas, dinheiro e competitividade.”
Fonte: Estadão
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