A eleição do novo papa, anunciada nesta quinta-feira (8), com o tradicional Habemus Papam, marcou um novo capítulo na história da Igreja Católica. O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost foi escolhido como sucessor de Francisco e adotou o nome de Leão XIV. Em entrevista à Rádio Cultura, durante a cobertura ao vivo que a rádio realizou do anúncio do novo papa, o Bispo Diocesano de Guarapuava, Dom Amilton Manoel da Silva, comentou a decisão e destacou os sinais de continuidade, firmeza e renovação que o novo pontífice representa.
Em sua análise, Dom Amilton destacou o perfil pastoral e missionário do novo papa e sua proximidade com a visão de Francisco. “O cardeal é um religioso, né, um cardeal religioso da ordem de Santo Agostinho, então, agostiniano. E ele… o Papa Francisco o fez cardeal e o levou pro Dicastério dos Bispos”, lembrou o bispo.
Dom Amilton contou ainda que a nomeação de Prevost como responsável pelas indicações episcopais já havia surpreendido pela escolha de um religioso com forte trajetória missionária, especialmente na América Latina. “Francisco ter levado pra nomeação dos bispos um religioso… mas um religioso já com um currículo bastante intenso, de muita experiência pastoral”, disse. Segundo ele, a atuação no Peru e os vínculos com a cúria romana o colocaram em posição de destaque dentro da Igreja.
Sobre o estilo do novo pontífice, Dom Amilton avaliou que haverá continuidade no caminho iniciado por Francisco, mas com identidade própria: “Temos uma continuidade, mas não uma cópia de Francisco. Isso é importante, porque cada um tem seus dons e dá a sua colaboração na Igreja e na sociedade, né?”
A escolha de um papa norte-americano também foi comentada por Dom Amilton, que ressaltou a importância simbólica de alguém vindo de um país historicamente associado ao protestantismo assumir o comando da Igreja Católica. “É uma novidade. É o primeiro norte-americano. Isso também… pros Estados Unidos, que é tipicamente – embora nos nossos dias já não é tão igual – leva a fama de um país protestante”, afirmou.
Prevost, que tem 69 anos, foi eleito ainda no quarto escrutínio, o que indica consenso entre os cardeais. Para Dom Amilton, essa escolha sinaliza uma busca por equilíbrio: alguém com bagagem, mas com vigor suficiente para enfrentar os desafios atuais.
“O mundo caminha muito rápido, e pode ser que a Igreja não consiga dar uma resposta a partir de um papa já idoso que não acompanha o caminhar dos tempos”, refletiu.
A escolha do nome Leão XIV também foi analisada. Dom Amilton lembrou que Leão XIII foi responsável por abrir o diálogo da Igreja com o mundo moderno, especialmente nas questões sociais.
“Foi o primeiro papa que escreveu uma encíclica na linha social. A partir daí começa a doutrina social da Igreja”, explicou. Para ele, Leão XIV carrega esse simbolismo de coragem e luta pela justiça: “Na valentia do Evangelho, na proclamação do Evangelho, nós precisamos lutar como um leão para que vença Jesus”.
Ao final da entrevista, Dom Amilton reforçou o papel do papa como uma liderança global e espiritual. “O papa não é só o líder da Igreja Católica. Ele acaba tendo uma voz mundial. Ele é um líder… até porque ele é chefe de Estado também”, observou.
E completou com um chamado à unidade: “Quem não está com o Papa, não é católico. Nós temos o direito e o respeito de praticar a fé que queremos, mas precisamos dessa obediência, dessa caminhada juntos”.
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