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A semente de seringueira que antes prejudicava a plantação está sendo transformada em biocombustível. O trabalho de pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) já desenvolveu biodiesel e etanol de segunda geração. Os dois produtos foram desenvolvidos a partir de parceria com a empresa Kaiser Agro.
“Quando a semente cai e se deteriora no solo ela libera um óleo com alto teor de acidez e ele torna o solo ácido, diminuindo a produção de látex”, explica Fábio Tonus, gerente da Kaiser Agro. Segundo ele, a correção de solo gera um custo extra.
Com esse problema, Fábio buscou as universidades que desenvolveram os produtos. A semente não é comestível, ela lembra uma noz pecan, com uma casca dura e dentro uma amêndoa com muito óleo. Por ano, cada árvore pode gerar de 8 a 15 quilos de sementes. Material que é recolhido e descartado.
Biocombustíveis
Esse destino das sementes pode mudar com a pesquisa coordenada pelo professor André Galina, doutor em química. Ele começou esse trabalho na universidade Federal da Fronteira Sul, em Realeza, e continua atualmente na Unicentro, no programa de Pós-Graduação em Bioenergia.
“Observando as características básicas da semente percebemos o potencial”, enfatizou o pesquisador.
O primeiro produto desenvolvido foi o biodiesel. Cerca de 40% da parte interna da semente é óleo que pode virar biodiesel. A sobra da produção de biodiesel é que gera o etanol, por isso ele é caracterizado como de segunda geração.
A pesquisa focou justamente em encontrar uma técnica para transformar a biomassa da semente em etanol.
“Não dá pra fazer direto como é na cana de açúcar, ela não tem os açúcares todos, por isso precisamos desenvolver processos para extrair esses açúcares e fermentar para produzir etanol”, explicou André.
Quem fez essa jornada na bancada do laboratório, orientado por André, foi o estudante Giovano Toqueto. Ele ainda trabalha para aprimorar o método usado para converter a semente em etanol. Ele destacou um ponto importante. A fonte do combustível, que não é alimentação, sim um resíduo da produção florestal.
“Quando se usa uma comida gera atrito entre mercados, gera dilemas e aumenta os custos”, ponderou o pesquisador, enfatizando o potencial da semente de seringueira.
Aumento de escala
A empresa Agro Ruiz, instalada em Guarapuava, vai ser utilizada para testar o ganho de escala, saindo do laboratório para a indústria. O local tem tanques que podem produzir até 500 litros por hora.
“É uma oportunidade não só economicamente viável, mas socioambiental”, ressaltou Fernando Ruiz, proprietário da empresa e investidor na área de biocombustíveis.
A parceria vai permitir que o método testado em laboratório seja aplicado em escalas maiores, até chegar a milhares de litros. Isso vai permitir os próximos passos até que o combustível passe pelas verificações necessárias na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Seringias
No Brasil existem 239 mil hectares de seringueiras, segundo a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre). São em torno de 2400 toneladas de semente, considerando uma média de 10 quilos por árvore. A produção comercial está concentrada na região Noroeste do estado de São Paulo, no entorno do município de São José do Rio Preto.

Reprodução Apre Florestas. Disponível em https://apreflorestas.com.br/sobre-o-setor/.
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