A violência contra a pessoa idosa, muitas vezes silenciosa e praticada dentro do próprio ambiente familiar, volta a ser tema de reflexão e mobilização durante o Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento desse problema em todo o país. A iniciativa conta com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI), que desenvolve ações de prevenção, acolhimento e orientação em mais de dois mil municípios brasileiros.
Em Guarapuava, a campanha ganhará destaque com a realização de uma mesa-redonda promovida pela Fundação Social e Cultural de Guarapuava em parceria com a Pastoral da Pessoa Idosa. O encontro será realizado no dia 16 de junho, no Teatro Municipal, com o tema “Conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa”. A participação será gratuita, mas os interessados deverão realizar inscrição prévia pela internet.
A mobilização acontece em um contexto preocupante. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam um crescimento expressivo das denúncias de violência contra idosos no Brasil. Somente em 2025, foram registradas mais de 4.700 denúncias, com aumento de 140% nos três primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período anterior. Entre as vítimas, 58,6% são mulheres, enquanto os principais agressores são os próprios filhos, responsáveis por 29,5% dos casos registrados.
Para a coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, Dra. Dione Menz, o trabalho dos líderes voluntários é fundamental para identificar situações de vulnerabilidade e garantir proteção aos idosos. Segundo ela, as visitas domiciliares permitem perceber não apenas casos de violência física, mas também situações de abuso psicológico, financeiro e negligência. “Nós, da Pastoral da Pessoa Idosa, somos a presença de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo que entra na casa dos mais vulnerabilizados. Por vezes, percebemos infinitas violências; não só a física, mas também a econômica, a psicológica. Precisamos articular ações em rede”, afirma.
A coordenadora também incentiva as comunidades a promoverem atividades durante o Junho Violeta. “Organizem uma missa, articulem uma mobilização, façam uma fala no Conselho de Direitos. Como somos a ternura de Deus que chega a cada pessoa idosa, também somos aqueles que fazem a denúncia de situações difíceis e anunciam possibilidades e esperança”, destaca.
Diferentes formas de violência
O Guia do Líder da Pastoral da Pessoa Idosa dedica um capítulo específico ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. O material apresenta os principais tipos de agressão reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde e pelo Estatuto da Pessoa Idosa.
Entre eles estão a violência física, caracterizada pelo uso da força que provoca dor ou lesão; a violência psicológica, marcada por humilhações, ameaças e isolamento; a violência financeira ou patrimonial, quando aposentadorias, bens ou recursos são utilizados indevidamente por terceiros; além da negligência, abandono, violência institucional e discriminação por idade, conhecida como idadismo.
O documento orienta os líderes da pastoral a agir com prudência, escuta atenta e responsabilidade, evitando julgamentos e buscando apoio dos serviços especializados de assistência social sempre que necessário.
Denúncia pode salvar vidas
A Pastoral da Pessoa Idosa reforça que qualquer suspeita ou confirmação de violência deve ser comunicada às autoridades competentes. O principal canal de denúncia é o Disque 100, serviço gratuito do Governo Federal que funciona 24 horas por dia e garante o anonimato do denunciante.
Além disso, os casos podem ser encaminhados aos Conselhos dos Direitos da Pessoa Idosa, aos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e às Unidades Básicas de Saúde.
Em Guarapuava, a mesa-redonda do dia 16 de junho pretende ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância de proteger e valorizar os idosos, fortalecendo uma cultura de respeito, cuidado e defesa da dignidade humana em todas as fases da vida.
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