Mães de alunos autistas reclamam da falta de professores auxiliares em escolas municipais de Guarapuava

A reclamação é de que o acompanhamento, garantido por lei, não está sendo realizado desde o início do ano letivo, comprometendo o desenvolvimento dos alunos.

Foto: William Batista/ CulturaNews

03/04/2025 às 13:47 - Atualizado em 03/04/2025 às 13:49

Compartilhe:

Mães de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão reivindicando a presença de professores auxiliares nas escolas municipais de Guarapuava. A reclamação é de que o acompanhamento, garantido por lei, não está sendo realizado desde o início do ano letivo, comprometendo o desenvolvimento dos alunos. A Escola Municipal Dom Bosco, localizada na Vila Carli, é uma das instituições afetadas, mas as mães afirmam que o problema se estende a outras escolas do município.

O problema enfrentado

O acompanhamento por professores auxiliares é um direito garantido pela legislação brasileira para alunos com necessidades especiais, incluindo os que têm TEA. No entanto, mães relatam que, desde o começo do ano, a falta desses profissionais está prejudicando a rotina e o desenvolvimento escolar das crianças.

Aryadne Rodrigues Barbosa, autônoma, mãe de Davi, de cinco anos, conta que no ano passado o filho teve assistência desde o primeiro dia de aula, com algumas trocas durante o ano, mas sempre acompanhado por um professor auxiliar. Este ano, no entanto, a situação é diferente:

“Desde o começo do ano, estamos correndo atrás, conversando com a Secretaria da Educação e pedindo a presença dos professores auxiliares, mas os prazos vão passando e nada acontece. Algumas crianças já têm o auxílio na sala, mas outras ainda não. Sem esse acompanhamento, há risco de regressão no aprendizado e no comportamento, o que é muito prejudicial para as crianças”, relata Aryadne.

O filho de Aryadne, que tem TEA nível 2, TDAH e apraxia da fala, apresenta dificuldades de adaptação e aprendizado sem o apoio necessário. Ela destaca que a ausência do professor auxiliar compromete a rotina escolar, desde atividades pedagógicas até cuidados básicos, como alimentação e uso do banheiro.

Solange Santos, manicure e mãe de um menino de seis anos, compartilha da mesma indignação. Segundo ela, no ano passado o filho foi bem assistido e apresentou avanços significativos. No entanto, neste ano, sem o apoio adequado, o garoto já demonstrou sinais de regressão. “A gente já procurou a Secretaria da Educação, que estabeleceu prazos para resolver a situação, mas nenhum foi cumprido”, lamenta Solange.

Já Valdete Fiuza da Rosa, autônoma, conta que seu filho atualmente está sendo assistido, mas ela se solidariza com as demais mães por já ter passado pela mesma situação. “No começo, também não havia profissional de apoio, e precisei recorrer ao Ministério Público para garantir o direito do meu filho”, explica.

O que diz a Secretaria de Educação

Em resposta à demanda, a Secretaria Municipal de Educação de Guarapuava informou à reportagem, que a rede municipal possui 504 alunos com TEA, sendo assistidos por 320 profissionais, dos quais 72 são professores de apoio e 128 estagiários. No entanto, a coordenadora da Educação Especial, Jussara de Fátima Abdala, admite que a contratação de novos auxiliares tem enfrentado dificuldades devido à falta de estagiários interessados, mesmo após a abertura de processos seletivos simplificados (PSS).

“Desde o dia 1º, estamos fazendo o PSS e convocando os estagiários, mas muitos não comparecem. Abrimos 50 vagas para graduação e 20 para pós-graduação, mas nem todos são preenchidos”, esclarece Jussara. Ela informa ainda que os professores efetivos têm formação específica para atuar com educação especial, enquanto os estagiários precisam estar cursando pedagogia.

Jussara também explicou que, após o encerramento do atual PSS, previsto para o dia 7, será necessário um prazo de até 20 dias para formalização e contratação dos profissionais. “Dentro desse tempo, as crianças estão sendo atendidas lá na escola pelos nossos próprios professores da rede. Eles não ficam lá totalmente sozinhos. Há sempre alguém da sala de aula, um profissional. Eles (professores) estão até parando algumas atividades para atender as crianças inclusas”, pontua a coordenadora.

Fique sempre por dentro das últimas notícias!

Junte-se ao nosso grupo no WhatsApp e receba em primeira mão as notícias, atualizações e destaques do CulturaNews.
Não perca nada do que está acontecendo!

Clique aqui e faça parte do grupo!