Nesta sexta-feira, 16 de maio, é celebrado o Dia do Gari, data que reconhece o trabalho dos profissionais que atuam diretamente na limpeza das cidades. Em Guarapuava, mais de 100 trabalhadores prestam serviços essenciais de coleta de lixo, varrição manual e manutenção de vias públicas.
O município produz cerca de 3 mil toneladas de lixo orgânico por mês, e os serviços são coordenados pela SURG (Companhia de Serviços de Urbanização de Guarapuava). Além da área urbana, as equipes também atendem os distritos Entre Rios, Palmeirinha, Guará e Guairacá.
Na coleta, os garis trabalham em dois turnos: um começa às 8h da manhã e outro às 18h. A cidade é dividida por rotas, e os bairros recebem atendimento em dias alternados da semana.
“Trabalhamos em dois turnos, pela manhã a partir das 8 horas e à noite a partir das 18 horas. São divididos em 20 equipes, 10 de dia e 10 de noite. Cada caminhão sai com três coletores e um motorista”, explicou Elias Gomes da Costa, encarregado da coleta.
A SURG utiliza nove caminhões próprios e três alugados para cobrir toda a cidade e os distritos. Também há equipes específicas para recolher entulho, móveis, madeira e recicláveis.
Além do volume, há riscos diários. O descarte de vidros quebrados, seringas e objetos perfurantes sem proteção adequada é um dos principais motivos de acidentes entre os trabalhadores.
“A população devia se conscientizar mais. Tem que embalar melhor o lixo, separar os vidros. Às vezes eles jogam tudo solto, e os coletores acabam se cortando ali”, alerta Elias.
Ele orienta que um simples aviso escrito “vidro” ou “frágil” já faz diferença para o trabalhador na hora de manusear os sacos de lixo.
Varrição manual
Os profissionais da varrição percorrem ruas, calçadas, praças, pontos de ônibus e áreas de maior circulação. Eles trabalham com carrinhos, vassouras, pás e sacos para recolher os resíduos deixados nas vias públicas.
“Eu limpo lixeira, limpo contêiner, limpo o que tiver na rua. Se a gente ficar uma semana sem trabalhar, como vai ficar a cidade?”, diz Paulo César dos Santos Bispo, há 21 anos no serviço. “A gente organiza a cidade. Eu vejo como uma profissão importante, como qualquer outra.”
Mesmo com o trabalho essencial prestado todos os dias, ele relata que a profissão ainda sofre preconceito. “Tem gente que, quando vê a gente pegando a lixeira, atravessa correndo pro outro lado da rua”, comenta.
Soluções criadas pelos próprios trabalhadores
No setor de varrição, localizado na esquina do Terminal da Fonte, os próprios garis desenvolvem formas de facilitar a rotina. Latas de tinta usadas são reaproveitadas e transformadas em pás, feitas sob medida por um dos colegas. “Pra comprar é complicado porque o cabo não dá bom. Mas esse rapaz já faz do tamanho certo pra cada um”, contou a coordenadora Rosangela Aparecida de Matos Fonseca.
Outro exemplo é o suporte de garrafa térmica nos carrinhos, criado com canos de PVC. A ideia surgiu entre os próprios trabalhadores, depois que a SURG forneceu as garrafas reutilizáveis.
Trabalho insalubre e intenso
A função é classificada como insalubre e exige esforço físico constante. Segundo a SURG, melhorias estão sendo feitas no setor.
“O gari é quem carrega a pedra. É um trabalho difícil, que exige preparo e segurança. A SURG tem buscado evoluir, modernizar equipamentos e investir em tecnologia pra reduzir o esforço físico desses profissionais”, afirmou o diretor administrativo Flávio José Silvestri.
Mesmo com os desafios, muitos relatam orgulho pela função. “Eu me sinto muito feliz nessa profissão. A gente limpa a cidade todos os dias, ajuda a cuidar. Gosto do que faço”, disse Silmar Antonio Santana, há 14 anos na limpeza urbana.
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