Com a saída da Azul Linhas Aéreas, a prefeitura de Guarapuava afirmou que “estão em andamento tratativas com outras companhias, como Gol e LATAM, para garantir alternativas de operação no município”. A reportagem procurou as companhias.
A Latam encaminhou uma nota e afirmou que a “operação é limitada a aeroportos que cumpram os requisitos estabelecidos pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para comportar aeronaves a jato”.
Atualmente, o aeroporto de Guarapuava não comporta esse tipo de aeronave, o que inviabiliza a operação da Latam no município.
A Gol Linhas Aéreas não retornou. A companhia atua em rotas nacionais com aviões da Boeing-737, que também não são comportados pela estrutura atual de pista, pátio e terminal de passageiros.
Portanto, para uma das duas empresas voarem para Guarapuava, antes devem ser realizadas obras de grande porte para ampliar a capacidade do aeroporto. Recentemente, entidades da sociedade civil se mobilizaram em torno do assunto.
Quem define as regras de operação é a Anac e outros órgãos governamentais, baseada em condições técnicas das aeronaves. As companhias aéreas e os aeroportos têm que se adaptar.
No caso de Guarapuava, o Aeroporto Regional Tancredo Thomas de Faria só vai receber voos da Gol e Latam se aumentar a extensão e largura da pista, reforçar a resistência do asfalto para pesos maiores, ampliar o pátio de manobra e o terminal de passageiros. Além disso, são necessários instrumentos de navegação que não existem atualmente.
Leia a nota da Latam:
A LATAM Airlines Brasil avalia todas as oportunidades para ampliar de forma sustentável a conectividade de sua malha e qualquer nova operação será comunicada oportunamente. A LATAM esclarece que sua operação é limitada a aeroportos que cumpram os requisitos estabelecidos pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para comportar aeronaves a jato, como os modelos da família Airbus A320, que compõem a frota para voos domésticos da companhia.
Nas condições atuais, o aeroporto poderia receber um avião comercial a jato? A resposta é não. A maior aeronave usada por companhias aéreas brasileira atualmente e que pode pousar e decolar em Guarapuava é o ATR72.
Além da Azul, que tem rota na cidade, a VoePass também opera com o ATR.
Essa aeronave é da categoria 2C, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Ela opera com peso máximo de decolagem de 22 toneladas e mede 27 metros de cumprimento e envergadura (entre as asas).
E um Embraer 190?
O menor avião a jato operado por companhias aéreas comerciais no Brasil é o Embraer 190. Mas, as condições operacionais não são suportadas pelo aeroporto de Guarapuava.
A começar pela extensão da pista. O modelo exige pelo menos 1476 metros, condição que pode oscilar de acordo com a altitude da pista e as condições de temperatura.
Essa é uma desvantagem para Guarapuava, com a pista acima de mil metros de altitude, as operações exigem maior extensão para pouso e decolagem sem restrições.
O peso da aeronave também é um impeditivo. Um Embraer 190 opera a partir de 47 toneladas (peso máximo de decolagem). A pista, com o pavimento atual, suporta 23 toneladas (veja ficha técnica no final).
A envergadura, distância entre as asas do E190 é de 29 metros na menor configuração. Também imcompatível com o pátio de manobras do aeroporto.
Desafios para ampliar
Para suportar aeronaves maiores, o aeroporto precisa ter as margens de segurança de 300 metros sem edificações. Atualmente, o próprio terminal do aeroporto está dentro desta faixa. Outra limitação é a pista curta e estreita e o pavimento insuficiente são outros fatores.
A ampliação da pista depende do aterramento da cabeceira 08 (Oeste), obra de grande porte, mas que não tem orçamento definido. Seria possível expandir mais 250 metros, o que permitirá uma ampliação para em torno de 1900 metros.
Ainda assim, a pista ficaria curta para operação de aviões maiores e com motores a jato.
Outro fator que deve ser corrigido é a resistência do piso. O PCN da camada asfáltica é de 23 toneladas. Mas precisa ser reforçada para pelo menos 45 toneladas. Isso seria possível com novas camadas adicionadas a já existentes.
Outra melhoria necessária é elevar a condição de combate a incêndios, uma vez que as aeronaves na categoria 3C são maiores e exigem mais estrutura.
Aviação particular
Vale ressaltar que a aviação privada, com aviões de pequeno porte, sejam jatos ou turbo-hélice, opera sem restrições em Guarapuava. O local dispõe de hangares privados e abastecimento de aeronaves.
Ficha técnica:
Aeroporto Regional de Guarapuava – Tancredo Thomás de Faria
Cumprimento da pista: 1365 metros
Largura: 30 metros
Altitude: 1065 metros (em relação ao nível do mar)
Largura: 30 metros
Pavimentação: Asfalto
Resistência do pavimento pista de pouso: 23 toneladas.
Navegação
Aproximação Rnav (por GPS). Aproxima até 200 pés da cabeceira. É uma aproximação de não precisão.
VFR (visual) Diurno/Noturno e IFR (instrumento) Diurno/Noturno
Papi: não tem.
Pátio
Resistência do piso: 47 toneladas
Envergadura máxima da aeronave: 27 metros (exatamente o tamanho do ATR).
Cabeceiras 08 e cabeceira 26
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