Proposta de fatiar Malha Sul gera controvérsias

Novo modelo de contratos devem separar Paraná-Santa Catarina do Rio Grande do Sul e criar corredor Mercosul.

Foto: Cleber Moletta

16/04/2026 às 07:00

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Menos de um ano. Dia 27 de fevereiro de 2027 será o último dia de contrato de concessão da Rumo Logística Malha Sul, concessionária que desde 1997 explora as ferrovias federais do Sul do país. Naquele ano, a antiga Rede Ferroviária Federal foi privatizada.

A maior parte dos 7,2 mil km de ferrovias estão inoperantes, a velocidade dos trens diminuiu e o volume de carga transportado da nossa região diminuiu muito. 

Em novembro de 2025 o Governo Federal anunciou que não renovaria o atual contrato e um outro leilão seria realizado. A previsão é que isso ocorra ainda este ano, com lançamento do edital em setembro. 

Fatiamento

O Ministério dos Transportes anunciou a separação das linhas do sul do país, que atualmente formam um único bloco, em três trechos: um corredor Mercosul, ligando São Paulo ao Uruguai e Argentina. Uma linha no Rio Grande do Sul, ligando o Noroeste do Gaúcho ao Porto de Rio Grande. E o trecho Paraná-Santa Catarina, que liga ao porto de Paranaguá e São Francisco do Sul. 

A decisão de separar por trechos dividiu opiniões. O procurador do Ministério Público Federal, Osmar Veronese, considera o fatiamento um problema porque se baseia somente no presente

“Não podemos pensar somente no momento, porque atualmente o agro e a indústria do Paraná são muito mais viáveis para uma ferrovia, mas precisamos pensar na malha nacional, o que queremos no futuro”, disse. 

O procurador aponta que a nova licitação deve pensar em soluções que retirem cargas de rodovias – começando pelos combustíveis, integrem as regiões do país e levem em conta mudanças na oferta e demanda que podem ocorrer ao longo dos anos.

Na avaliação do MPF, a divisão em trechos poderia gerar dificuldades operacionais com até três empresas diferentes. Sobretudo porque alguns trechos são lucrativos e tem grande volume de cargas, outros não.

Na atual Malha Sul o melhor trecho em operação é a rota do Norte do Paraná  para os portos de Paranaguá e São Francisco. Ele deve despertar interesse no leilão, os outros, é uma questão incerta.

Por outro lado, a separação do Paraná das outras linhas é defendida por parte do setor produtivo. Uma das entidades que sugeriu a ideia e está apoiando a proposta é a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

“Na Malha Sul, 80% das cargas são do Paraná, que acabou pagando pela ineficiência do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, quando desmembra o Rio Grande do Sul estamos ajudando os gaúchos, pois quando eles tiverem sua própria malha os ativos rodantes [locomotivas e vagões] não serão desmembrados para outro local “, presidente da Fiep, Edson Vasconcelos. 

Sobretudo após as grandes enchentes de 2024, os trilhos gaúchos estão inoperantes. Contudo, antes mesmo dos estragos causados pelo evento climático, o estado tinha limitações de movimentação de cargas.

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