A propriedade do senhor Artur Zaluski, de 71 anos, fica nos fundos da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Sanepar, no bairro Santana, em Guarapuava. Por décadas, a Companhia lançou o efluente do tratamento em um pequeno córrego. Efluente é a água usada para lavagem dos filtros. Ela é carregada de sedimentos, que vem do rio e param na filtragem. Isso forma um lodo.
Esse material assoreou o canal de água que passava na propriedade do senhor Artur. Mesmo assim, o líquido continuou sendo despejado, o que tornou a propriedade um banhado.
Além de inviabilizar a atividade produtiva, dificultando a vida do senhor Zaluzki, o lamaçal está contaminado com chumbo, cádmio, mercúrio e outros elementos químicos.
“Antigamente era bonito, tinha criação, plantava roça, hoje não se faz mais nada aqui”, disse Artur à reportagem. Veja a reportagem em vídeo.
Até a casa da família precisou mudar de lugar pelo avanço do charco.
Indenização
A Justiça Estadual do Paraná reconheceu que o dano foi causado pela Sanepar e que a companhia deve indenizar Artur. Procurados pela reportagem, os advogados Geovana Kuster e Anderson de Carvalho, que representam Artur, explicaram que o processo iniciou em 2007. Atualmente, um novo processo, ainda sem sentença, discute o valor da causa.
O dano foi causado ao longo de muitos anos, já que desde a instalação da ETA, na década de 1960, ocorre o processo de lançamento de efluente.
Contaminação
Um laudo pericial feito a pedido da Justiça por uma química independente apontou que o lodo tem índices elevados de contaminação.
A perícia identificou que o efluente sai da estação dentro dos padrões, mas como a Sanepar não construiu uma infraestrutura adequada para tratar e canalizar o líquido até o Rio das Pedras, ele formou um banhado na casa do Artur e o lamaçal funcionou como um filtro, concentrando por anos elementos químicos perigosos.
“Formou uma bacia onde todos esses elementos químicos foram se acumulando ao longo de muitos anos o que tornou essa área altamente perigosa do ponto de vista químico e patogênico”, como explica André Luís dos Santos, engenheiro florestal que fez um laudo técnico a pedido do proprietário.
Não há estudos sobre impactos no lençol freático, ainda que exista possibilidade de contaminação pelo grande acúmulo de poluentes no solo encharcado da propriedade.

Análise aponta que solo está contaminado e com padrões muito acima do determinado pela RESOLUÇÃO N° 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005, co Conama.
Extraído do processo Judicial do caso.
O ponto de captação da água que abastece Guarapuava está cerca de 500 metros abaixo deste ponto contaminado.
IAT
O Instituto Água e Terra foi procurado, disse que desde 2014 faz avaliações presenciais e por imagens e que não verificou grande mudanças na extensão do dano. Também disse que sobre os sedimentos, “reforça que já notificou a Sanepar para adoção de medidas cautelares e preventivas a serem adotadas como condicionantes específicas do licenciamento ambiental”.
A Sanepar foi procurada, mas disse que não se pronunciará à reportagem.
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