A Eficiência Ambiental, empresa que opera o aterro sanitário privado localizado na Palmeirinha e utilizado para depositar os resíduos sólidos urbanos e industriais de Guarapuava e região, acumula R$2,1 milhões em multas ambientais por lançamento e efluentes (líquido gerado no aterro) fora dos padrões estabelecidos na licença de operação e nas leis ambientais. Essa prática gera risco de poluição da água superficial e subterrânea.
O Instituto Água e Terra (IAT), responsável pelas autuações, não deu detalhes sobre o motivo das sanções. A reportagem solicitou as informações e teve retorno por uma nota enviada na tarde desta terça-feira (12/05). O órgão ambiental afirmou que o aterro “está com licença ambiental vigente e precisa cumprir as condicionantes estabelecidas pelo documento”. Afirmou ainda que a fiscalização no local é permanente. Mas não explicou os motivos que levaram as autuações.
A empresa Eficiência Ambiental foi procurada e um representante deve atender a reportagem nesta quarta-feira (12/05) para comentar o caso.
Multas
Todas as multas tem relação com o mesmo problema: lançar efluentes, que são os líquidos gerados no aterro, fora dos padrões estabelecidos pela lei. A primeira autuação foi aplicada no dia 18 de junho de 2024 com valor de R$500 mil.
No dia 16 de janeiro deste ano ocorreu nova fiscalização. Pelo mesmo motivo a Eficiência foi multada em R$1 milhão. Na mesma data foi aplicada outra multa de R$600 mil por descumprir embargo imposto em 2024, na primeira autuação.
No site do IAT a Licença de Operação do empreendimento, que o IAT afirma estar vigente, não é encontrada. Todos as licenças devem ser públicas, conforme determina a Legislação. As emitidas pelo IAT estão disponíveis no Sistema de Gestão Ambiental – SGA.
Já no site da Eficiência, consta uma licença que venceu em junho de 2024. Nela, constam dados sobre os parâmetros de lançamento de efluentes. O site informa que o local funciona como uma Central de Tratamento de Resíduos e está apto a funcionar como:
Aterro Sanitário de Resíduos Não Perigosos
Aterro Sanitário Industrial de Resíduos Perigosos
Estação de Tratamento de Efluentes Offsite (recebe líquidos de foram e os trata no local)
Aterro de Resíduos Inertes e de Construção Civil
Solidificação e Estabilização Química
Segregação e Valorização de Recicláveis
O local funciona desde 2020.
Plantação de batatas mortas
Em março deste ano um processo movido por um proprietário rural vizinho do Aterro, no distrito da Palmeirinha, aponta que uma plantação de batatas irrigada com água do Rio Passo Ruim morreu. Esse rio é afluente do Coutinho. Segundo o autor da ação, ele encontrou no curso do rio um cano com vazão de água extremamente suja, sendo o provável causador da contaminação da água e morte da plantação.
Segundo o pedido feito à Justiça, a plantação de 17 hectares de batatas morreu após a irrigação e o prejuízo pode chegar a R$2 milhões.
Ainda não há decisão final sobre o caso. Um pedido liminar foi acatado para que um perito seja nomeado para analisar o caso.
Lixo de Guarapuava e região
Todo resíduo sólido urbano coletado pela Prefeitura de Guarapuava é destinado para o Aterro da Eficiência Ambiental, na Palmeirinha. O município paga R$216,61 por tonelada para depositar o rejeito no local. São em torno de 105 toneladas dia, conforme recente entrevista do Secretário de Meio Ambiente de Guarapuava, Heraldo Lima.
Em setembro de 2025 a Rádio Cultura e o CulturaNews mostraram que o preço da destinação de resíduos pagos em Guarapuava é o mais caro entre as dez maiores cidades do Paraná.
Sem coleta seletiva a dois anos, Guarapuava está pagando para enterrar o material reciclável recolhido junto com a coleta de inservíveis.
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