Um casal de idosos foi resgatado nesta semana após viver cerca de 20 anos em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Guarapuava. As vítimas são um homem de 84 anos e uma mulher de 66 anos. O caso ocorreu na localidade de Combrão, nas proximidades da PR-170, e foi revelado em reportagem publicada pelo G1 Campos Gerais, assinada pelas jornalistas Helena Kruger, Samili Penteado e Milena Sartori.
De acordo com informações da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o idoso trabalhava como empregado rural e vivia com a esposa em um paiol adaptado como moradia. A estrutura apresentava condições precárias, com sinais de deterioração e sem instalações sanitárias adequadas. O banheiro e o chuveiro ficavam em construções separadas da residência improvisada.
A operação de resgate foi realizada na quarta-feira (10). Segundo a reportagem, o responsável pela propriedade é Elton Lange. Procurado pelos jornalistas, ele optou por não se manifestar sobre o caso.
Durante a fiscalização, os auditores constataram que o casal não possuía acesso à água encanada e dependia da ajuda de terceiros para obter alimentos, em razão das dificuldades de locomoção até áreas urbanas.
Além das condições degradantes de moradia, a equipe identificou uma série de violações trabalhistas. Conforme os auditores fiscais, não havia registro formal do trabalhador, férias remuneradas, pagamento de décimo terceiro salário e a remuneração recebida era inferior ao piso regional.
Ao todo, 14 irregularidades foram apontadas na esfera administrativa. O caso também poderá ter desdobramentos criminais, com eventual investigação pela Polícia Federal.
O auditor-fiscal do trabalho José Luiz Queiroz informou que, após o resgate, o casal recebeu atendimento da assistência social do município e foi encaminhado para a residência de um filho.
Já o procurador do Ministério Público do Trabalho, Andre Vinicius Melatti, informou que foi firmado um acordo com o proprietário da fazenda. Pelo compromisso assumido, deverão ser pagos aproximadamente R$ 50 mil em verbas rescisórias aos trabalhadores, além de uma indenização de R$ 20 mil por danos morais.
Segundo os fiscais, a moradia ocupada pelo casal apresentava risco de desabamento e de incêndio, além de possibilidade de asfixia e intoxicação devido às condições estruturais do local. Diante da situação, o alojamento foi interditado.
A fiscalização também verificou que os idosos haviam improvisado três estruturas distintas para atender às necessidades básicas. Um antigo paiol servia como residência, enquanto o banheiro e o chuveiro foram construídos separadamente, todos em edificações de madeira e em condições precárias.
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