Atender o aluno trabalhador é desafio para universidades evitarem evasão

Instituições públicas estão perdendo estudantes em alguns cursos de graduação.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

10/07/2025 às 17:00

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“A instituição recebia um aluno de elite, tanto é que antes perguntávamos o que você é, o aluno respondia ‘sou estudante’, hoje é difícil encontrar um estudante que seja somente estudante, ele é um trabalhador”, afirma Eliane Felisbino, doutora em educação pela Universidade Federal do Paraná,

“Mas, ele é cobrado como se fosse somente um estudante, como era antigamente, quando ele só estudava, mas isso mudou”, completou.

Eliana estudou profundamente as causas da evasão na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e, ainda que os dados não possam ser generalizados para todas as instituições, apontou como as instituições públicas podem lidar com esse desafio.

Ela esclarece que a saída de um aluno antes da conclusão do curso pode acontecer por diferentes fatores como economia, mercado de trabalho, o acesso a rede pública, questões pessoais e de saúde. Mas, outros fatores estão diretamente ligados a universidade.

Um fator é apontado como principal para permanência:

“Um estudante que está com bom rendimento acadêmico dificilmente evade, mesmo que os outros fatores estejam impactando, a questão da aprendizagem é importantíssima para as universidades olharem e entenderem que o perfil mudou”, explica Eliana Felisbino.

“O perfil do estudante mudou e a universidade tem que se adaptar a isso”, conclui.

A pesquisa dela mostra aponta caminhos para as instituições lidarem com o problema. E esse caminho passa pelo melhor acolhimento do aluno e foco no processo de aprendizagem.

“Não adianta ficar culpando N, X, tem que se preocupara com esse estudante que está trabalhando, talvez ele vai chegar atrasado, não vai conseguir ler em casa, fazer o trabalho, vai chegar atrasado, que talvez não chegue com a base que se espera”.

Investimento

O caminho entre o ensino médio público e a universidade pública é um funil. Atualmente, em torno de 87% da oferta total de vagas no ensino superior é privada. Contudo, 83% dos alunos do ensino médio estão na rede pública.

“Eles saem da rede pública, chegam no ensino superior, e na rede pública não tem essa acolhida, essa oferta para esse quantitativo que estava no médio e nem oferta de cursos noturnos no mesmo percentual, isso já ajuda a entender porque ingressa menos e porque evade mais, mas é um fator dentre vários”, explica a pesquisadora.

A universidade no Brasil é tardia e nas últimas décadas o investimento se concentrou no ensino privado, com uma série de programas que financiaram com recursos públicos a expansão de grandes redes que oferecem graduação, sobretudo em formato Educação à Distância (EAD).

“Os investimentos de fundo público, invés de serem para instituições públicas, forma para instituições privadas”, concluiu Eliane.

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