Fiep pede negociação técnica com os EUA para tentar reverter taxação de 50%

Federação defende diálogo comercial livre de ideologia e alerta para impactos no setor madeireiro; posicionamento foi divulgado nesta sexta-feira (18).

Foto: Divulgação/ Embaixada dos EUA

18/07/2025 às 15:35 - Atualizado em 18/07/2025 às 16:18

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A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) divulgou nesta sexta-feira (18) um posicionamento oficial sobre a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A entidade defende que o governo federal adote uma postura técnica e comercial nas negociações, deixando de lado questões ideológicas, e propõe a solicitação de um prazo de 90 dias para o início da vigência da tarifa.

“O empresariado vê a necessidade de se trazer a questão técnica e os aspectos meramente comerciais para a mesa de negociação”, afirmou o presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos. Segundo ele, o governo está ouvindo o setor produtivo, que é unânime ao pedir cautela e a não aplicação da chamada Lei da Reciprocidade.

Vasconcelos demonstrou preocupação com os prejuízos que já atingem exportadores com cargas a caminho dos EUA. “Muitas indústrias têm contratos que já foram cancelados porque o comprador norte-americano não aceita pagar 50% a mais no valor da entrada após o dia 1º de agosto”, disse. Ele destacou ainda que boa parte das empresas já tem todo o ciclo de produção voltado para o mercado norte-americano e que essa dependência pode agravar os impactos econômicos.

No Paraná, o setor mais afetado é o da indústria da madeira, que concentra exportações voltadas principalmente ao mercado da construção civil dos EUA. “Temos indústrias que trabalham quase 100% para esse mercado. Algumas já concederam férias coletivas aos colaboradores e podem até fechar as portas a partir do dia 1º”, alertou Vasconcelos.

De acordo com levantamento da própria Fiep, em 2024 o setor de produtos de madeira foi responsável por US$ 615 milhões em exportações do Paraná para os Estados Unidos — o que representa quase 40% do total exportado pelo estado ao país. Em algumas empresas do ramo de molduras e madeiras perfiladas, até 97% da produção tem como destino os EUA.

A indústria madeireira no Paraná emprega mais de 38 mil pessoas. Para a Fiep, a manutenção da tarifa pode provocar queda na demanda, comprometer empregos e gerar efeitos severos sobre a economia regional.

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