O Governo do Estado anunciou que vai implementar uma série de medidas para proteger as empresas paranaenses que serão afetadas pelas tarifas de importação de 50% anunciadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Dirigentes da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), da Receita Estadual e de outras secretarias se reuniram com representantes do setor produtivo ao longo da semana para ouvir as demandas sobre o tema e buscar caminhos para amenizar os impactos da taxação americana caso ela entre em vigor a partir do dia 1º de agosto (próxima sexta-feira).
As medidas que serão implementadas envolvem oferta de crédito, flexibilização de prazos para investimentos já acordados e utilização de créditos de ICMS homologados no Siscred para monetizar ou usá-los como garantia na tomada de recursos. Os impactos sobre os setores ainda são incertos e o Governo do Estado não descarta adotar novas medidas ao longo das próximas semanas.
“É nosso dever ajudar a manter a economia do Paraná forte nesse momento de incertezas. Estamos trabalhando ao longo de alguns dias nesse pacote e vamos continuar dialogando com o setor produtivo para avaliar os próximos passos”, afirma o governador Ratinho Junior.
No âmbito da Secretaria da Fazenda, empresas afetadas pelo tarifaço com crédito de ICMS na receita estadual poderão utilizá-lo parcialmente para monetização, giro ou como garantia na tomada de recursos. A estimativa de impacto financeiro da medida vai depender de adesão e avaliação individual. Outra ferramenta disponibilizada será a flexibilização de prazos de investimento das empresas enquadradas no programa Paraná Competitivo para que não fiquem sem fôlego.
Também serão implementadas medidas de oferta de crédito com a Fomento Paraná e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Empresas atingidas pelo desequilíbrio nas vendas poderão solicitar adiamento de pagamento de parcelas de empréstimos já tomados dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central.
Outras medidas envolvem a disponibilidade de oferta de recursos no BRDE e na Fomento Paraná para alavancar recursos imediatos para as empresas. A disponibilidade deve ultrapassar R$ 400 milhões dentro das duas instituições financeiras. O Governo do Paraná também estuda aporte de capital no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) para oferecer mais recursos no mercado com juros baixos para empresários dos setores mais atingidos.
Conforme o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, as políticas de auxílio serão implementadas para preservar as empresas. “O Governo do Paraná é sensível a essas demandas e quer colaborar para o enfrentamento dessa dificuldade, principalmente no esforço de manter os empregos, as cadeias produtivas e ajudar no enfrentamento dessa dificuldade que deve começar de maneira bem concreta em agosto”, explica.
O Paraná vende, em média, US$ 1,5 bilhão por ano em produtos aos Estados Unidos. Neste ano, até junho, foram US$ 735 milhões. Os principais produtos são madeira e derivados (MDF, esquadrias, portas, etc), mas nos últimos quatro anos mais de 90 grupos de produtos paranaenses alcançaram o mercado norte-americano, como máquinas, combustíveis minerais, plástico, alumínio, açúcar, café, adubos, borracha, produtos farmacêuticos, móveis, peixes, óleos vegetais, entre outros.
Fiep
Na última sexta-feira (25), a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) entregou um ofício à Secretaria da Fazenda com sugestões para amenizar os impactos das tarifas, incluindo o uso emergencial de créditos de ICMS, prorrogação de financiamentos e suspensão de exigências para empresas do programa Paraná Competitivo. A entidade também defende que o governo estadual pressione o governo federal por soluções diplomáticas e econômicas.
Segundo a Fiep, setores como madeira, móveis, carne, pescados, café, celulose, papel e cerâmica já estão sendo prejudicados, com contratos cancelados e concessão de férias coletivas. Esses segmentos empregam diretamente mais de 380 mil pessoas no estado.
Demissões
Segundo o portal g1, uma indústria madeireira localizada nos Campos Gerais anunciou a demissão de 100 funcionários devido à insegurança provocada pela tarifa. As demissões devem ocorrer ao longo de 60 dias. Nossa reportagem pediu informações à empresa e aguarda retorno.
Posicionamento dos EUA
Neste domingo (27), de acordo com a Agência Brasil, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, confirmou em entrevista à Fox News Sunday que a tarifa entra em vigor no dia 1º de agosto e que não haverá prorrogação. “As tarifas estão programadas para o dia 1º de agosto. Colocaremos a Alfândega para começar a coletar o dinheiro”, afirmou.
A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump no dia 9 de julho, por meio de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, Trump alega que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo vítima de perseguição política. Os EUA também investigam práticas comerciais do Brasil que consideram desleais, como o uso do Pix.
Na mesma carta, Trump comunicou ainda o cancelamento dos vistos do ministro Alexandre de Moraes, de seus familiares e de outros membros do STF. O governo brasileiro criou um comitê para tratar do tema e tenta negociar uma saída diplomática, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
*Informações atualizadas na reportagem atualizada neste domingo (27), às 14h55.
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