Paranaense que vendeu casa para ver o Papa em 2019 fala à Rádio Cultura após morte de Francisco: “Foi como perder alguém da família”

Josefa Schmit, de Imbituva, entregou carta ao Papa no Vaticano pedindo apoio à doação de medula óssea e guarda o encontro como uma bênção inesquecível.

Emocionada, Josefa reage após ver o Papa Francisco passar de perto na Praça São Pedro, no Vaticano. Foto: Arquivo Pessoal

23/04/2025 às 19:55 - Atualizado em 23/04/2025 às 20:22

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A morte do Papa Francisco, anunciada nesta semana, deixou milhões de fiéis em luto pelo mundo. No Paraná, a notícia tocou de maneira especialmente profunda a paranaense Josefa Schmit, de 62 anos, moradora de Imbituva, nos Campos Gerais. Agente comunitária de saúde e fundadora de uma ONG voltada à doação de medula óssea, Josefa tem uma ligação pessoal com o pontífice, construída a partir de uma jornada de fé, sacrifício e esperança.

Em 2019, quando morava em Ponta Grossa, determinada a entregar uma carta ao Papa com um apelo pela divulgação da campanha de doação de medula óssea, ela tomou uma decisão: vendeu flores nas ruas, roupas do próprio corpo e até mesmo a casa dela para custear a viagem até o Vaticano. A missão era clara — como ela mesma relata — tentar salvar mais vidas por meio da conscientização.

“Foi muito difícil. Eu consegui o dinheiro para comprar a passagem vendendo flores na rua, minhas roupas… e, quando vi que não conseguiria, vendi minha própria casa”, lembra. “O único objetivo era tentar salvar mais vidas com esse gesto.”

À pedido do repórter William Batista, de quem Josefa é amiga há muitos anos, ela gravou um depoimento contando um pouco de sua história.

Josefa perdeu uma sobrinha de apenas quatro anos para a leucemia. O impacto da perda a levou a fundar a ONG “Você Consegue”, voltada à informação e mobilização sobre a doação de sangue e medula óssea.

Na viagem ao Vaticano, levou consigo uma camiseta da campanha e um cartaz escrito em italiano. Um policial, comovido com sua história, a ajudou a se aproximar do Papa Francisco durante uma aparição pública. Ela conseguiu entregar uma das cartas diretamente ao pontífice. O momento foi registrado em vídeo: ao fim, Josefa aparece emocionada, ajoelhada, agradecendo a Deus pela oportunidade.

Cerca de um mês depois, ela recebeu em casa duas respostas enviadas pela Secretaria de Estado do Vaticano, em nome do Papa Francisco, agradecendo o contato e concedendo uma bênção à iniciativa.

Com a morte do líder da Igreja Católica, Josefa expressou profunda tristeza. “Recebi a notícia como se tivesse perdido alguém da minha família. O que mais marcou na vida dele, para mim, foi o fato de ele sempre estar a favor da paz e não da guerra, e de lutar contra a miséria e pelas causas dos menos favorecidos.”

A paranaense afirma que, se pudesse encontrá-lo novamente, pediria para que ele falasse em todas as línguas, incentivando a doação de sangue e medula óssea para ajudar a salvar vidas no mundo todo.

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