Reunião discute segurança e futuro de Faxinal do Céu após venda a empresa privada; moradores cobram medidas contra crimes na região

Moradores cobraram ações contra a criminalidade, enquanto a empresa apontou vandalismo como obstáculo e a prefeitura destacou os futuros investimentos no local.

Foto: Divulgação/ Camargosphoto

07/04/2025 às 16:08 - Atualizado em 07/04/2025 às 16:10

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Moradores da região do Faxinal do Céu, em Pinhão, se reuniram no último sábado (5) com representantes da administração municipal e da empresa ABTN Partners, sediada em Curitiba e nova gestora do complexo, para discutir o futuro do local e, principalmente, a crescente insegurança na área. A reunião ocorreu no salão de uma igreja católica, em uma comunidade do interior.

O complexo de Faxinal do Céu, que fica próximo à Usina Foz do Areia, foi vendido pela Copel à empresa ABTN em outubro do ano passado. As casas da vila foram originalmente construídas para abrigar operários que trabalharam na construção da usina, na década de 1970. A venda do espaço causou grande repercussão e ainda gera dúvidas e expectativas entre os moradores sobre os planos futuros para o local.

Sobre a reunião

Segundo o site Fatos do Iguaçu, que acompanhou a reunião, representantes da empresa e do poder público destacaram os planos para transformar Faxinal do Céu em um polo de turismo. Entre os projetos mencionados estão a reabertura da antiga Universidade do Professor, a criação de um resort, de um parque temático e a geração de até 500 empregos.

No entanto, o tema que mais gerou tensão entre os presentes foi a falta de segurança, especialmente na antiga Vila Copel — hoje Faxinal do Céu — onde vêm ocorrendo furtos constantes. Moradores criticaram a ausência de medidas efetivas e cobraram mais diálogo com os que vivem fora da área adquirida pela empresa.

O prefeito Valdecir Biasebetti destacou o orgulho em receber os investimentos da ABTN e disse que o projeto pode tornar Faxinal do Céu novamente um centro regional de referência.

O que diz a empresa

O diretor de segurança da ABTN, Pablo Lucas, lamentou os furtos e o vandalismo no local, que, segundo ele, atrasam as melhorias. “Cada benfeitoria que fazemos é destruída. Levaram até as louças dos banheiros. Isso inviabiliza a abertura de espaços como o Jardim Botânico”, disse, pedindo ajuda da comunidade para denunciar os responsáveis, segundo a reportagem do Fatos do Iguaçu.

No entanto, muitos moradores entenderam que a empresa estaria condicionando a geração de empregos à colaboração da comunidade no combate aos crimes, o que causou insatisfação.

Sobre a venda

A venda do Faxinal do Céu à ABTN foi anunciada em outubro, durante reunião na prefeitura de Pinhão com o diretor administrativo da Copel, Adriano Fedalto, que enfatizou o potencial turístico da área, que possui mais de 4,5 milhões de metros quadrados, incluindo um aeroporto e o Jardim Botânico.

O que diz a Prefeitura

No dia 27 de março, a prefeitura de Pinhão publicou nota sobre uma reunião realizada em Curitiba com o deputado estadual Alexandre Curi e os investidores responsáveis pelo complexo. Segundo a administração, o governo do estado já sinalizou apoio à reabertura da Universidade do Professor. O deputado afirmou que o governador Ratinho Junior vê com bons olhos o retorno das formações presenciais para docentes da rede estadual no local.

“Vamos lutar sim para que tudo isso retorne e que a formação de nossos docentes seja centralizada novamente naquele local”, reforçou o prefeito Biasebetti, ao lembrar o papel de referência que Faxinal do Céu já teve no passado.

O que é Faxinal do Céu

De acordo com informações da Unicentro, Faxinal do Céu é um distrito do município de Pinhão (PR), com raízes no sistema faxinalense — uma forma tradicional de organização comunitária baseada no uso comum da terra e práticas sustentáveis. Antes da chegada de grandes empresas, como a madeireira Zattar e, posteriormente, a Copel, o local era ocupado por faxinalenses que viviam de forma autônoma, criando animais soltos e cultivando a terra em harmonia com o meio ambiente.

A região passou por fortes conflitos de terra, principalmente com a atuação da Zattar, acusada de se apropriar de terrenos a preços baixos e sob pressão. Mais tarde, com a construção da Usina Hidrelétrica de Foz do Areia, na década de 1970, a Copel desapropriou moradores para instalar a vila operária, dando origem ao que hoje é o Faxinal do Céu.

Após a conclusão da usina, a vila perdeu função estratégica. Nos anos 1990, o espaço foi revitalizado com a criação da “Universidade do Professor”, um centro de formação educacional que trouxe desenvolvimento e movimento à vila até seu encerramento em 2011.

Desde então, a região sofre com o abandono, insegurança e o desinteresse dos detentores da área, especialmente da Copel, que agora pretende vender o espaço. Moradores e ex-moradores denunciam o descaso e clamam pela preservação do patrimônio histórico, ambiental e afetivo que Faxinal do Céu representa para o Paraná.

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