Tarifa de 50% dos EUA preocupa produtores do Paraná: carnes, café e peixes ficam fora da isenção. Veja repercussões

Entidades paranaenses cobram diálogo diplomático para evitar prejuízos ao setor produtivo.

Produtos florestais, café, pescados e sucos movimentaram mais de 400 milhões de dólares no primeiro semestre. Foto: Divulgação/ FAEP

31/07/2025 às 15:00

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A partir do dia 6 de agosto, os Estados Unidos vão aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida faz parte de um pacote de sanções anunciado pelo presidente Donald Trump e causou reação imediata em vários setores da economia do Paraná. Isso porque, apesar de mais de 700 itens terem sido isentados, produtos importantes para a pauta de exportações do estado, como carnes, café e peixes, ficaram de fora.

Segundo o decreto, continuam livres da taxação produtos como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, fertilizantes, veículos e peças. Já setores que não entraram na lista de exceções devem enfrentar um cenário de custos mais altos e incertezas nos embarques ao mercado norte-americano.

Suco de laranja

O alívio veio para o setor de sucos. “O setor de suco de laranja recebeu com muito alívio a notícia de que foi incluído na lista de exceções do tarifá do governo americano”, afirmou Ibiapaba Neto, diretor-executivo da CitrusBR. “O Brasil tem 56% do consumo americano e 70% das importações. E já os americanos representam pra gente 42% de tudo que a gente exporta.”

Madeiras

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) disse que está fazendo uma análise detalhada do decreto para identificar quais produtos podem ser isentos e quais serão impactados pela medida. Já a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) afirmou que ainda estuda os efeitos da tarifa e defende uma solução diplomática para evitar prejuízos ao setor produtivo.

Pescados e carne bovina

A preocupação é maior entre os produtores de peixes e carne bovina. “Hoje é uma triste notícia para nós da cadeia de produção de tilápias do Paraná e do Brasil”, disse Edmilson Zabott, presidente do Sindicato Rural de Palotina. “O mercado externo estava dando vazão aos nossos produtos e abrindo novos mercados. Essa taxação pega todos nós, com um alto grau de endividamento, e traz também um problema social, que é a certeza do desemprego.”

Em Cascavel, a preocupação recai sobre a carne bovina. “Na questão da carne de boi, que é o principal mercado, isso nos preocupa bastante, porque é uma participação grande das exportações, em torno de 30%”, afirmou Paulo Vallini, diretor-secretário do Sindicato Rural do município.

Ameniza, mas não resolve

De acordo com Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), alguns setores respiram aliviados, mas o cenário ainda exige atenção. “É um certo alívio, né, porque alguns produtos foram isentos. Mas muitos outros continuam fora dessa lista, como carnes, café, pescados, produtos apícolas… e isso nos preocupa.”

Produtos do PR mais exportados para os EUA

Dados da Faep mostram que, no primeiro semestre deste ano, o Paraná exportou mais de 331 milhões de dólares em produtos florestais para os Estados Unidos. Também foram 36 milhões em café, 17 milhões em pescados, 10 milhões em produtos apícolas e 9 milhões em sucos — esse último com crescimento de 345%.

Negociações

A Faep defende que o governo brasileiro aproveite a brecha da nova lista de exceções para abrir diálogo. “É hora de colocar as cartas na mesa, buscar negociação, mostrar o impacto disso para a economia brasileira, paranaense e também para a americana”, afirmou Sartorelli.

O decreto assinado por Trump justifica a taxação alegando “ameaças à segurança nacional” dos Estados Unidos, citando perseguição política e censura no Brasil. A medida inclui sanções e chegou a mencionar diretamente casos envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

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