Após os Estados Unidos anunciarem uma taxação de 25% a produtos brasileiros, o governo aponta como caminho a abertura de novos mercados, o apoio a empresas afetadas e a reciprocidade de tarifas.

Nesta quinta-feira (16), o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que as tarifas são injustas e descabidas. Isso porque o superávit dos norte-americanos no comércio com o Brasil chegou a mais US$ 420 bilhões nos últimos 15 anos; ou seja, eles lucraram mais com as trocas comerciais.
“Acho que, primeiro, destacar que a medida é injusta e descabida. Injusta porque, se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos, nos últimos 15 anos, Estados Unidos têm com o Brasil superávit, e não déficit. E uma palavra aos setores afetados: o governo terá um programa de apoio aos que aqui dentro estão labutando, trabalhando, e que tenham problemas.”
O governo dos Estados Unidos alegou que o Brasil teria tarifas injustas e cita o Pix como uma das justificativas para as taxas, além de questões relativas ao etanol, ao desmatamento ilegal e a leis anticorrupção.
Negociações
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, comentou o processo de negociação, indicando pontos que interferem na soberania do país:
“Em todas as reuniões, nós discutimos claramente quais eram os pontos negociáveis e inegociáveis. E aí eu chamo a atenção, porque há algumas pessoas defendendo a posição dos Estados Unidos da América. Eles pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas de bens industriais e o acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano. É óbvio que, nessas discussões técnicas de altíssimo nível, precisamos deixar claro o tempo todo que o governo do presidente Lula e o governo brasileiro jamais celebrarão, hoje ou em qualquer data, qualquer tipo de acordo que possa representar a violação dos interesses do país.”
Reciprocidade
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou ainda que o governo estuda medidas de reciprocidade, a partir da lei aprovada pelo Congresso Nacional.
“A retomada do processo de reciprocidade, conforme determina a lei aprovada, por unanimidade, por todos os partidos e lideranças políticas nacionais. Nós seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros. Com isso, a gente vai seguir protegendo o Pix. Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica, sem vira-latisse, e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida. Com isso, nós não estamos dizendo que não estaremos abertos à negociação.”
O Ministério da Fazenda já estuda como apoiar as empresas afetadas pelas tarifas através do programa Brasil Soberano. Reuniões com os setores envolvidos devem ocorrer já na próxima semana.
Em 2025, apenas 15% de todas as exportações brasileiras foram destinadas aos Estados Unidos. O governo federal destacou que se mantém aberto para negociação com os norte-americanos.
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