Setenta anos de história, dezenas de títulos e incontáveis momentos de união entre famílias. Esse é o legado do Grêmio Recreativo Esportivo Madeirit, associação esportiva fundada em março de 1955 e que se tornou um dos principais símbolos comunitários de Guarapuava. Localizado no bairro Boqueirão, o campo Mário Paluski está no centro de uma disputa judicial e pode ser fechado, o que motivou uma mobilização por parte da comunidade.
Desde 2020, a diretoria da associação tenta, sem sucesso, obter na Justiça o reconhecimento de usucapião da área onde está o campo, que pertenceu à antiga Indústrias Madeirit, empresa falida em 2009. O terreno foi arrematado em leilão judicial e, mesmo com o uso contínuo do espaço pela associação há mais de 40 anos, o pedido foi negado em primeira e segunda instâncias. A decisão mais recente é de maio deste ano.
A Associação Madeirit reforça que respeita todas as decisões judiciais e não questiona os trâmites legais do processo. A mobilização atual não é dirigida contra ninguém. O objetivo é garantir que o campo continue existindo e sirva à comunidade, independentemente de quem detenha a propriedade legal.
Ainda não há prazo definido para desocupação
Com a decisão judicial em segunda instância, o arrematante do terreno já tem o direito de tomar posse da área. No entanto, ainda não há prazo definido para que a associação deixe o local.
Segundo o presidente da entidade, Pedro Aurélio Gonçalves, questões documentais relacionadas ao restante do terreno arrematado podem estar impedindo o novo proprietário de exercer esse direito de imediato. Apesar disso, a preocupação com o futuro é constante.
Campo se mantém graças aos aluguéis
Mesmo após a derrota no processo judicial, o campo segue funcionando. A associação, que não conta com contribuições mensais de sócios, se mantém por meio do aluguel do espaço para jogos e eventos. Essa é a principal fonte de renda usada para custear despesas básicas, como água e luz.
“É meio triste falar, mas hoje a gente se mantém através dos aluguéis. Não temos associados pagando mensalidade. Mesmo assim, o espaço continua vivo e atendendo a comunidade”, explica Pedro.
Mais do que futebol
O campo do Madeirit é ponto de encontro tradicional no bairro Boqueirão. Logo na entrada do estádio, há uma sala com dezenas de troféus conquistados ao longo de décadas, que contam a história de uma equipe vencedora e atuante nos campeonatos locais. Além dos jogos, o espaço abriga escolinhas de futebol gratuitas para crianças, eventos sociais e campanhas de arrecadação.
“Não é apenas um pedaço de terra. É um patrimônio vivo que acolhe famílias, forma crianças e movimenta a comunidade de Guarapuava”, resume Pedro Aurélio.
“Fiz minha história aqui”
O caminhoneiro Airton Bastos, de 55 anos, cresceu ao lado do campo. “Moro aqui desde que nasci. Joguei aqui desde pequeno, fiz minha história aqui e voltei a jogar no Madeirit depois de rodar por outros times. O que eu mais quero é que as crianças de hoje também tenham essa história pra contar”, diz.
Ele lembra do movimento que o espaço gera aos fins de semana: “Num sábado ou domingo de manhã, isso aqui fica cheio. Pais, mães, avós acompanhando os filhos e netos. É triste pensar que tudo isso pode acabar.”
A luta é pela permanência do campo
Mesmo diante da decisão judicial, a associação segue em busca de apoio. “Respeitamos a Justiça. A nossa luta agora é para preservar o campo, seja com a associação, com a Prefeitura ou com outra entidade. Só não pode se perder”, reforça Pedro.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Guarapuava afirmou: “A prefeitura até onde sabemos não tem envolvimento. Estamos a disposição a partir do momento que formos acionados”.
Confira o vídeo produzido pela Zero21 esporte:
Fique sempre por dentro das últimas notícias!
Junte-se ao nosso grupo no WhatsApp e receba em primeira mão as notícias, atualizações e destaques do CulturaNews.
Não perca nada do que está acontecendo!



