Do começo do ano até agora, o Paraná também registrou um grande número de incêndio: foram mais de 10 mil e 800 queimadas em vegetação, segundo o Corpo de Bombeiros. Uma alta de quase 140% em comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, a fumaça das queimadas na amazônia e no pantanal também têm contribuído para a formação de um cenário cinza no céu, como explica o climatologista e professor da Unicentro, Sidnei Jadoski.
“Nós temos a circulação de ventos que naturalmente formam o sistema ASAS – Alta Subtropical Atlântico Sul. Toda aquela movimentação que temos ali até a Linha do Equador, que é uma zona onde tem muito calor e gera muita chuva, ela redistribui os ventos de média altitude da atmosfera vão derivar e deslocar para cima do Brasil, na região central e em parte do ano para o sul do país também. Esses ventos redistribuem o que tem lá. Então, quando tem umidade e chuva que é natural, vem umidade e chuva para nós. Mas quando tem calor, fumaça e queimada como tem lá, também chega pra nós”, conta.
Mesmo com as longas distâncias não demora muito para essa situação também chegar ao Paraná. Nessa época, segundo o climatologista, era para estarmos recebendo uma circulação de umidade vinda da região amazônica e do pantanal, mas tudo mudou por conta das alterações clímicas em grande parte provocadas pelas queimadas.
“Estamos em um período que seria de reposição hídrica. Teríamos que estar em uma condição de entrada de chuvas com previsões claras de um setembro mais chuvoso. No momento ainda não temos clareza sobre isso, o que está mais evidente é seguir por um tempo maior com essa secura”, afirma.
“Esse ventos redistribuem o que tem lá. Quando tem umidade e chuva, que é natural, vem chuva para nós. Quando tem calor, fumaça e queimada como tem lá, também isso chega para nós. Precisamos que as coisas se equilibrem e voltem à normalidade e tenhamos as regiões úmidas como úmidas e as florestadas como florestadas para que tenhamos todo o continente, o Brasil é um país continental, com uma condição mais equilibrada”, complementa.
Ainda conforme o climatologista, as queimadas na amazônia no pantanal alertam para outros problemas: “A região amazônica é arenosa, tem pouca sustentabilidade para o armazenamento de água. O Pantanal é uma região turfosa. Muita matéria orgânica. Não tem uma camada perto da superfície de solo mais denso, de rochas. Essa camada turfosa a partir do momento que exceder ela vai queimando também em profundidade”.
Ele explica ainda que, a partir de agosto, costumam ocorrer mais queimadas em áreas rurais por conta da vegetação mais seca: “Não são queimadas naturais. Quem conhece vegetação sabe que floresta nas condições brasileiras não pega fogo sozinha, que turfa não pega fogo sozinha. É preocupante. Fora dos padrões convencionais. Estamos há mais de 25 anos trabalhando com questões climáticas e diria que hoje estamos mais preocupados. Já está claro numérica que, infelizmente, pelo menos por 30 anos, não teremos uma melhora muito significativa mesmo sendo bem comportados, digamos assim, mesmo com políticas bem implementadas. Mas por outro lado, a mudança do comportamento, das políticas mundiais em relação ao meio ambiente mais sustentável, nos colocaria em uma situação, com certa brevidade, de melhor equilíbrio. Não vamos dizer que temos prognóstico de um futuro catastrófico. Mas precisamos agir de forma emergêncial para que o futuro seja equilibrado e um pouco melhor”, destaca.
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