Sem locomotivas e vagões, a Ferroeste transporta cada vez menos carga. Com frota própria, a empresa atende somente dois clientes e em 2025 transportou apenas 260.398 toneladas, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANNT). A operação se restringe ao trecho Guarapuava-Cascavel.
Se voltarmos a 2006, a ferrovia então sub concedida a Ferropar transportou 1.511.297 toneladas por toda extensão da Malha Sul. Quase seis vezes mais que a quantidade atual.
Os únicos carregamentos em Guarapuava são de cimento ensacado, no terminal logístico multimodal privado Agrolustoza.
“O cimento sai em caminhão de Rio Braco do Sul, descarrega aqui onde mantemos um ‘pulmão’ para Votorantim, com 2 a 3 mil toneladas, e vamos enviando para Cascavel, geralmente de 12 a 13 vagões por dia”, explicou empresário José Henrique Cordeiro Lustoza, proprietário do terminal.
De Cascavel, o trem traz soja e descarrega na indústria da Agrária, que tem um terminal próprio.
Os volumes são pequenos, considerando o potencial do modal ferroviário. São 63 mil toneladas ano de cimento e 197 mil toneladas de soja por ano. Segundo a Ferroeste, a capacidade da ferrovia é de transportar cinco milhões de toneladas/ano.
“O gargalo está nas locomotivas do estado, teria que adquirir mais e novas”, falou o empresário Zé Lustoza, ressaltando que a demanda por cargas existe.
Em nota, o Governo do Estado informou à reportagem que são atualmente seis locomotivas operacionais e 170 vagões da Ferroeste. Os equipamentos são antigos, fabricados na década de 1980. O último demonstrativo financeiro da empresa, referente a 2024, informa que são 14 máquinas na frota, mas somente seis em condições de rodar.
História
Os 248 kms da Estrada de Ferro Paraná Oeste foram construídos na década de 1990 para ajudar o setor produtivo do Oeste do Paraná a escoar a produção sentido exportação. O trecho inicia em Guarapuava, onde se liga a Malha Sul, e se estende até Cascavel.
A construção iniciou em julho de 1992 e terminou em 1995. A obra foi tocada pelo Exército Brasileiro. Na época, o 10º Batalhão de Engenharia de Construção Benjamim Constant, de Lages, Santa Catarina, e o 11º Batalhão de Engenharia de Construção Mauá, de Araguari, Minas Gerais, se transferiram para a região.
Fotos publicadas pelo Exército.
Privatização
Em 2024 a Assembleia Legislativa do Paraná deu autorização ao Governo Ratinho Jr. (PSD) privatizar a Ferroeste. Antes de decidir vender a empresa de economia mista (92,15% das ações votantes pertencem ao Estado), o plano era usar autorizações federais e construir novos trilhos de Guarapuava até Paranaguá e de Cascavel para o Mato Grosso do Sul. O projeto não prosperou.
Sem locomotivas e vagões, a Ferroeste não avança para outros trechos dentro da Malha Sul, ainda que exista direito de passar por essas linhas e chegar aos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
A Rumo Malha Sul, concessionária federal, se vale deste mesmo acordo de passagem e usa a linha da Ferroeste. Em 2025 ela transportou 281.020 toneladas para Cascavel e saiu do Oeste do Paraná com sentido exportação com 810.792 toneladas.
São muitos números, mas, somando tudo, a conta é simples: a Ferroeste é subutilizada e sobra pra BR-277 maior volume de cargas. Isso explica com fluxo enorme de carretas com grãos, sentido porto, e combustíveis e adubos, sentido interior.
Segundo a Ferroeste, a Ferrovia administrada por ela poderia movimentar cinco milhões de toneladas ano. Em 2025 passaram por ela somente 1.352.210 de toneladas.
O Governo do Estado disse em nota que a Rumo opera com 12 locomotivas e 400 vagões e atende cinco clientes no trecho da Ferroeste. O maior volume do material rodante da Rumo está em outros trechos.
Fique sempre por dentro das últimas notícias!
Junte-se ao nosso grupo no WhatsApp e receba em primeira mão as notícias, atualizações e destaques do CulturaNews.
Não perca nada do que está acontecendo!



