Em Guarapuava está em andamento uma das principais pesquisas genéticas do Brasil. É o Genomas Paraná, um projeto que tem o objetivo de mapear o DNA da população, entender como a genética se relaciona com doenças e criar estratégias mais precisas para prevenir, diagnosticar e tratar cada paciente.
A ideia é usar o perfil genético junto com informações sobre saúde, histórico familiar e estilo de vida para orientar políticas públicas e oferecer tratamentos mais seguros e personalizados. É o princípio da chamada medicina de precisão — uma realidade que começa a ganhar força no interior do Paraná.
Projeto
A pesquisa é coordenada pela Unicentro e pelo Instituto para Pesquisa do Câncer de Guarapuava (IPEC), com apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Fundação Araucária. Hoje, o projeto já entrevistou mais de 3 mil participantes e coletou amostras de sangue, saliva e fezes, das quais 1.500 já foram sequenciadas.
“O projeto tem quatro etapas. A primeira que é a coleta de dados, que é entrevista com o paciente e todos esses dados clínicos. A segunda que é coleta de amostras, a terceira que é o sequenciamento em si e a quarta que é a análise desses dados gerados. As três andam simultaneamente”, explica o coordenador do projeto, David Livingstone Figueiredo.
Participação
A participação da comunidade é essencial. Os moradores de Guarapuava são escolhidos por sorteio de endereços, busca de idosos com mais de 80 anos e por inscrições de voluntários pela internet. Quem participa responde a um questionário detalhado, com 369 perguntas sobre saúde, estilo de vida e histórico familiar.
Tecnologia
Depois da coleta, todo o material biológico é processado no IPEC, que conta com infraestrutura de última geração. O trabalho vai desde a extração e purificação de DNA e RNA até o preparo das amostras em uma das plataformas de sequenciamento mais consolidadas do mundo.
“O IPEC é o ambiente que reúne os profissionais capacitados com tecnologia de ponta, especializado em sequenciamento genético e de DNA, que concretiza esses projetos. Aqui nós somos equipados com equipamentos automatizados desde o processamento da amostra até o preparo para o sequenciamento”, detalha o consultor Luis Gustavo Morello.
Rede nacional de pesquisa
O Genomas Paraná faz parte do Genoma SUS, uma rede nacional dentro do programa Genomas Brasil, criada pelo Ministério da Saúde para estruturar a base da medicina de precisão no Sistema Único de Saúde. No primeiro ano, a meta é sequenciar 21 mil genomas brasileiros em oito centros espalhados pelo País. Em Guarapuava, o projeto já envolve cerca de 90 pesquisadores.
“Essa rede Genoma SUS envolve perto de 90 pessoas focadas em projetos semelhantes a esse. O nosso tem uma ênfase um pouco diferente, que é olhar para a população. A maioria dos outros projetos olham para doenças específicas”, completa David.
Simpósio
Além de avançar no campo da pesquisa, Guarapuava vai sediar entre os dias 24 a 26 de setembro, o Segundo Simpósio de Medicina de Precisão do Vale do Genoma, reunindo especialistas de todo o Brasil para debater a aplicação da genômica em áreas como oncologia adulto, oncologia pediátrica e cardiologia.
“É curioso ver o interior do Paraná se tornar essa onda de movimento dentro da área da genômica, que vem tomando proporções nacionais”, destaca Morello.
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