Toda quinta-feira, a cozinha da Paróquia Santa Cruz, em Guarapuava, se transforma em uma grande corrente de solidariedade. São mais de 40 voluntários que se revezam nas tarefas: bater a massa, preparar os recheios, montar os pastéis e garantir o almoço da equipe. O resultado é um dos quitutes mais tradicionais da Feira do Produtor — e um trabalho que alimenta não só quem compra, mas quem faz.
“A gente chega de manhã, daí já é providência de pegar os trigos, o óleo, o sal, a água. Daí a gente já começa a bater a massa”, conta Maria do Carmo, voluntária e responsável pela equipe na cozinha.
O preparo começa cedo e segue com precisão. A massa é passada em diversos cilindros até atingir o ponto ideal. “Faço umas 100 vezes assim a massa, daí vai para o outro cilindro”, explica Tacilda Paula Cordeiro, que cuida dessa etapa com dedicação.
A receita leva farinha, óleo bem quente — que, segundo Maria do Carmo, é o segredo da crocância — e segue direto para as mesas, onde os pastéis são montados. São seis sabores no total: carne, queijo, frango, pizza, banana e goiabada com queijo.
Mas o pastel mais vendido é mesmo o de carne. O preparo, feito com carne moída cozida e temperada, começa com antecedência. “A gente prepara o tempero. Primeiro cozinha, retira a água e depois tempera. O segredo é o tempero: cebola, alho, sal e cheirinho verde”, afirma Cleuze de Fátima Ramos, zeladora da paróquia.
E nem só de pastel vive a cozinha. Enquanto uns cuidam da massa, outros fazem o almoço para os voluntários. “Hoje vai ser risoto, mandioquinha cozida, maionese e salada”, conta Clemair Assunção Domingues, que também ajuda na montagem à tarde.
Voluntariado que se estende por gerações
Alguns dos voluntários estão há décadas no grupo. É o caso de Terezinha Zavoski, de 80 anos. “Há 20 anos que trabalho aqui. Trabalho na roça, trabalho em casa, aqui também. Eu sou voluntária porque eu gosto. Eu estou contente.”
Isabel Maria Ramos, também com 80 anos, está na paróquia há mais de 30. “Aqui é minha casa. Eu moro sozinha, então aqui eu tiro um dia muito feliz, muito alegre, brincando com todo mundo. É servir o próximo.”
A sensação de pertencimento é unânime. “Todos nós somos voluntários, mas a gente vem se doar com o maior carinho, o maior amor”, diz Maria Raquel Lopes, que prepara o recheio do pastel de pizza.
Receita que vira ação social
A produção semanal varia entre 800 e 1.000 unidades. A venda acontece na própria paróquia, em paralelo à Feira do Produtor, que começa às 13h30. Todo o valor arrecadado é destinado à manutenção da igreja e a projetos sociais.
“Tudo vai pra obra social. Desde o tempo do padre Salvador, a gente mantém esse trabalho com amor. A ação social que nós temos aqui é o projeto Paixão pela Vida, onde atendem as pessoas com cestas básicas e outras necessidades”, explica Jurandir Mendes, voluntário há 25 anos.
Maria do Carmo resume o espírito do grupo com uma frase que virou lema por ali:
“O padre Carlos até trata que é a Pastoral do Pastel. Porque a gente é muito unido. É uma forma de a gente estar evangelizando também.”
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