Rumo concentra operação no Norte do Paraná e abandonou Guarapuava

Dados mostram que a movimentação de cargas ficou concentrada no trecho mais lucrativo. 

Pátio Rumo Malha Sul - Guarapuava Foto Cleber Moletta

14/04/2026 às 07:00 - Atualizado em 14/04/2026 às 08:51

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Os trilhos chegaram a Guarapuava nos anos 1950. A ferrovia federal foi concedida, em 1997, para iniciativa privada. A empresa Ferrovia Sul Atlântico, depois passou a ser América Latina Logística e desde 2014 é Rumo está responsável pela administração do trecho que compõe a Malha Sul, 7,2 mil km de estradas de ferro no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Quase 30 anos depois da privatização, os números mostram que o volume de cargas transportadas no trecho ferroviário de Guarapuava diminuiu significativamente. 

Os números da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não deixam dúvidas. Em 2025 saíram de Londrina, Maringá e Região 10,9 milhões de toneladas de produtos direto para os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. No mesmo período, partiram de Guarapuava somente 3.747 toneladas. 

De Cascavel para os portos, a Rumo movimentou 810.792 toneladas. Neste caso, passando pelo trecho da Ferroeste. 

Os dados revelam que além de não ser origem e destino de cargas, virou um ponto de passagem para os carregamentos de Cascavel. 

O engenheiro civil Paulo Sidnei Ferraz, que foi chefe do escritório regional em Curitiba da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e acompanha o tema há décadas, aponta falhas na concessão, que não manteve a estrutura em funcionamento e não investiu para melhorar as linhas, locomotivas e vagões. 

“O que não funcionou? Não entraram os investimentos. Houve uma otimização dos equipamentos, do material rodante, o gestor pegou os equipamentos, selecionou os melhores clientes, fechou ramais e colocou nestes fluxos mais rentáveis”, disse. “Aquele projeto de desenvolvimento do interior não aconteceu”, completou. 

E não foi somente Guarapuava. Vários trechos de ferrovias foram abandonados pela Rumo. Atualmente, a operação se concentra na linha Maringá-Londrina-Portos. 

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