Os trilhos chegaram a Guarapuava nos anos 1950. A ferrovia federal foi concedida, em 1997, para iniciativa privada. A empresa Ferrovia Sul Atlântico, depois passou a ser América Latina Logística e desde 2014 é Rumo está responsável pela administração do trecho que compõe a Malha Sul, 7,2 mil km de estradas de ferro no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Quase 30 anos depois da privatização, os números mostram que o volume de cargas transportadas no trecho ferroviário de Guarapuava diminuiu significativamente.
Os números da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não deixam dúvidas. Em 2025 saíram de Londrina, Maringá e Região 10,9 milhões de toneladas de produtos direto para os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul. No mesmo período, partiram de Guarapuava somente 3.747 toneladas.
De Cascavel para os portos, a Rumo movimentou 810.792 toneladas. Neste caso, passando pelo trecho da Ferroeste.
Os dados revelam que além de não ser origem e destino de cargas, virou um ponto de passagem para os carregamentos de Cascavel.
O engenheiro civil Paulo Sidnei Ferraz, que foi chefe do escritório regional em Curitiba da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e acompanha o tema há décadas, aponta falhas na concessão, que não manteve a estrutura em funcionamento e não investiu para melhorar as linhas, locomotivas e vagões.
“O que não funcionou? Não entraram os investimentos. Houve uma otimização dos equipamentos, do material rodante, o gestor pegou os equipamentos, selecionou os melhores clientes, fechou ramais e colocou nestes fluxos mais rentáveis”, disse. “Aquele projeto de desenvolvimento do interior não aconteceu”, completou.
E não foi somente Guarapuava. Vários trechos de ferrovias foram abandonados pela Rumo. Atualmente, a operação se concentra na linha Maringá-Londrina-Portos.
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