O Sul do país vive o encerramento da temporada de pinhão. No Paraná, a semente da Araucária tem papel central nas tradições familiares e no sustento de comunidades, especialmente na região de Guarapuava. No município de Pinhão, que leva o nome da semente, a colheita já está no fim. E, neste ano, foi menor.
Tradição no fogão a lenha
A agricultora Janete Ferreira, que mantém o costume com orgulho, conta que o pinhão assado no fogão à lenha é sua maneira preferida: “Assado, às vezes, lá de vez em quando, cozido, né? Mais é assado assim, na chapa, no fogão a lenha”, conta.
Produção demorada e proteção à Araucária
A semente é fruto da Araucária, árvore símbolo do Sul do Brasil e espécie em risco de extinção. Seu ciclo natural pode levar de 12 a 15 anos para produzir, mas com técnicas como o enxerto, esse tempo é reduzido.
A comercialização do pinhão foi liberada em abril, mas o amadurecimento demorou:
“Nós começamos a ter pinhão bom, no ponto para consumo, maturado, praticamente a partir do final de abril, começo de maio”, explica Dirlei Manfio, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral).
Colheita menor em 2025
Em Pinhão, município com quase 30 mil habitantes, a colheita de 2025 foi menor. “A safra foi muito pequena. Agora estamos em pleno inverno e praticamente já tá encerrando a produção. Estimamos apenas metade do volume colhido no ano passado”, afirma Manfio. Ele aponta que o calor excessivo em 2024 e a extração precoce das pinhas afetaram a produtividade.
Lei protege o futuro da Araucária
Para proteger a Araucária, o Paraná proíbe a colheita e venda de pinhões verdes ou amarelos. A multa para quem descumpre a lei pode chegar a R$ 300 por cada 50 quilos apreendidos. A fiscalização atua para garantir a regeneração da espécie e o equilíbrio ambiental.
Mesmo com a safra menor, a tradição permanece forte. O pinhão aparece na mesa de várias formas: assado, cozido, em entreveros, paçocas ou na clássica sapecada — preparo feito com o sapé da própria Araucária.
“Sou pinhão, sou verdadeiro mesmo. Me criei catando pinhão na lida campeira. Gosto de comer pinhão assado, cozido, com sal, até com café cedo”, diz o agricultor João Ferreira.
“É porque a gente nasceu aqui, se criou e tá aqui até agora”, completa Odacil Martins.
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