O Governo do Estado do Paraná afirmou que defende a inclusão da Ferroeste na nova concessão da Malha Sul e mantém tratativas com a União neste sentido. Com a nova posição do governo Ratinho Jr. (PSD) o projeto de ampliação da Nova Ferroeste sai de cena.
Em janeiro o Governo Federal anunciou que não vai renovar o atual contrato com a Rumo Malha Sul, responsável por trechos federais no Sul do país, incluindo Guarapuava-Porto de Paranaguá. Uma nova licitação vai dividir os atuais 7 mil kms (1/4 fora de operação) em três lotes. Os trechos do Paraná e Santa Catarina vão formar a futura Malha Sul PR-SC com linhas que concentram atualmente 78% das cargas ferroviárias do Sul, segundo o Ministério dos Transportes.
A proposta do estado é incluir a sua ferrovia neste lote. A Malha Sul é fundamental para a Ferroeste porque o seu atual trecho está isolado do porto, no Oeste do Estado. São 248 km entre Cascavel e Guarapuava. Para chegar ao Porto de Paranaguá as composições dependem do direito de passagem pelo trecho da federal.
A atual operação é limitada, ainda que o setor produtivo aponte grande demanda. Em 2025 foram transportadas cerca de 1 milhão de toneladas e em velocidade baixa – em torno de 15km\h, podendo levar até 7 dias entre Cascavel e Paranaguá.
Conforme o Governo do Paraná, incluir a Ferroeste no novo leilão da Malha Sul é a chance de viabilizar o seu trecho e “está diretamente associada a um plano de investimentos que contempla implantação de novos corredores ferroviários e modernização e ampliação do trecho entre Cascavel e Guarapuava”.
Autorizações que ficaram no papel
Em 2021, a Ferroeste obteve autorizações para ampliar seu traçado, inclusive em uma via com destino ao Porto, concorrendo com a atual malha federal. O projeto pretendia ligar Maracaju, no Mato Grosso do Sul, aos portos paranaenses. O projeto foi incluído no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal, um processo de licenciamento prévio iniciado, rodadas de negócios com possíveis investidores chegaram a ser realizadas, mas o leilão não foi realizado.
Parte da desconfiança em relação ao projeto foi justamente a indefinição sobre a Maha Sul. A Rumo tentou fazer a renovação antecipada do contrato que vence em 27 de fevereiro de 2027, mas não houve avanço. Também jogaram contra o projeto a capacidade de cargas para amortizar o alto custo e a falta de licenciamento prévio.
Oficialmente, o projeto nunca foi abandonado pelo Estado, ainda que tenha perdido tração e holofotes desde 2024.
Privatização
Em agosto de 2024 o Palácio do Iguaçu recebeu aprovação na Alep para a venda da Ferroeste. Desde então, o Governo prepara um estudo de valuation (valor da empresa) para encaminhar o leilão do ativo. O Governo não esclareceu se vai mudar os planos ou esperar o leilão da Malha Sul PR-SC para definir a venda do seu ativo.
Historicamente a companhia controlada pelo estado opera com déficit e necessita de aportes do Tesouro do Estado. Além disso, há um passivo que se acumula desde a construção, feita pelo próprio estado na década de 1990, e por entraves jurídicos com operadores privados dos anos 2000.
Setor produtivo
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) aponta a mesma solução para a Ferroeste: a unificação com a nova Malha Sul PR-SC. “Teríamos um operador ferroviário único, que sairia de Cascavel, passando por Guarapuava e chegando no Porto de Paranaguá, sem precisar passar por Ponta Grossa, em uma linha nova que elimine o gargalo da Serra da Esperança”, afirmou João Arthur Mor, superintendente da Fiep.
Outra defesa da Federação é a definição clara de desempenho da nova operadora incluindo volume de oferta que gere competição e queda de preço do frete.
Em seu estudo Plano Estadual de Logística em Transportes Integrado do Paraná-2040 a entidade aponta existência de demandas de cargas nas regiões de Guarapuava e Cascavel que poderiam sustentar o alto custo de investimento para uma ferrovia moderna.
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