“As inundações por si só são eventos naturais, não temos como evitar”, explica o professor e pesquisador Leandro Redin Vestena, que conclui: “ a grande questão é a ocupação dessas áreas”. O geógrafo especializado em hidrologia coordena o Laboratório de Hidrologia do curso de Geografia da Unicentro e é um dos principais pesquisadores da Bacia do Rio Cascavel, que ocupa a maior parte da área urbana de Guarapuava.
O professor foi convidado pela reportagem para analisar a ocupação de uma área no Jardim das Américas, onde 160 famílias estão vivendo. Recentemente a Justiça ordenou a colocação de número nas casas, um passo que pode levar a consolidação do local por moradias (leia mais).
“Vejo com muita preocupação”, disse Leandro, autor de Desnaturalização dos desastres: em busca de comunidades resilientes (Editora CRV), que problematiza justamente a ocorrência de desastres decorrentes da forma de ocupação do espaço. Segundo ele, a inundação por si não é problema, mas ela gera desastres quando o local que naturalmente é do rio passa a ter casas, ruas.
“Essa região, que fica no centro da Bacia do Rio Cascavel, é onde temos as maiores áreas inundadas, no Jardim das Américas isso é uma realidade, principalmente nesta ocupação, então, o que eu posso dizer é que eu vejo com muita preocupação”, afirma Leandro.
Por estar no ponto mais baixo, é para o Jardim das Américas, próximo ao Bosque Bíblico Santo Arnaldo Janssen, que conflui as sub-bacias e água das galerias da cidade. Ou seja, chove no Centro, Vila Carli ou Primavera, mas a água corre para região da ocupação.
Quando chega nesse ponto da cidade a água sofre um ‘amortecimento’, permanece no solo que é naturalmente encharcado e cumpre uma função, segundo o especialista. Esse é outro motivo para não intervir na área. Aterrar a margem direita do Rio Cascavel no ponto da ocupação vai aumentar o escoamento de água e causar problemas no bairro seguinte, o Vila Bela.
Mancha de inundação
O Laboratório de Hidrologia, no Campus Cedeteg, realizou diversas pesquisas mostrando a fragilidade da área. Dentre elas, uma simulação da mancha de inundação, que é o ponto de alcance da água em um evento chuvoso.
A mancha mostra claramente que o local onde as 160 famílias estão atualmente é sujeita a inundação.
Uma pesquisa de doutoramento orientada por Leandro investigou a ocupação nestas áreas onde se sabe que a água vai chegar. “Nós avaliamos a área que inundou em 2014, fizemos o levantamento e principalmente nesta área [ocupação] tivemos aumento de mais de 300% de ocupação”, relatou Leandro.
Em 2014 foi registrado um dos maiores desastres relacionados a inundação em Guarapuava, com o registro de 3 mortes.
Mudança climática
Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, apontam que deve haver um acréscimo de 70 mm por ano nas chuvas em Guarapuava. Essa nova realidade deve ocasionar com mais frequência chuvas fortes que resultam na inundação.
Reportagem produzida por Cléber Moletta e Luis Emanuel Calixto (estagiário).
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